LUTA

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quinta-feira, 30 de julho de 2026

SOBRE A REALIDADE DAS MULHERES NEGRAS NO BRASIL Desigualdade Racial, Social e de Gênero


A realidade das mulheres negras no Brasil é marcada pela sobreposição de duas formas históricas de exclusão: o racismo e o sexismo. Essa dupla discriminação produz desigualdades profundas em praticamente todos os aspectos da vida: acesso ao emprego, renda, educação, saúde, segurança, participação política e representação em espaços de poder.

Mesmo representando um percentual importante  da população brasileira, as mulheres negras continuam ocupando as posições mais vulneráveis na estrutura social.

PRINCIPAIS PROBLEMAS ENFRENTADOS

1. Discriminação racial

As mulheres negras enfrentam preconceito desde a infância.

São vítimas de:

Racismo estrutural;

Estereótipos sociais;

Exclusão profissional;

Invisibilidade em cargos de liderança;

Hipersexualização;

Violência simbólica.

O preconceito limita oportunidades e perpetua desigualdades históricas.

2. Remuneração

As mulheres negras recebem os menores salários entre todos os grupos sociais.

Em média:

Homens brancos recebem os maiores salários;

Mulheres brancas recebem menos;

Homens negros recebem ainda menos;

Mulheres negras ocupam a última posição salarial.

Mesmo exercendo a mesma função, frequentemente recebem remuneração inferior.

Essa desigualdade impacta:

qualidade de vida;

acesso à moradia;

alimentação;

educação dos filhos;

aposentadoria.

3. Mercado de trabalho

As mulheres negras apresentam:

maior taxa de desemprego;

maior informalidade;

menor acesso a cargos de chefia;

maior concentração em trabalhos domésticos;

menor oportunidade de crescimento profissional.

Ainda hoje grande parcela trabalha sem carteira assinada.

4. Violência

As mulheres negras são as principais vítimas de diversas formas de violência.

Entre elas:

violência doméstica;

violência psicológica;

violência sexual;

violência patrimonial;

violência obstétrica;

violência institucional.

Muitas enfrentam dificuldades para denunciar devido à falta de proteção e acesso aos serviços públicos.

5. Feminicídio

As estatísticas demonstram que as mulheres negras são as maiores vítimas de feminicídio no Brasil.

Os fatores incluem:

desigualdade econômica;

dependência financeira;

racismo estrutural;

menor acesso às redes de proteção.

A violência letal cresce principalmente nas periferias urbanas.

6. Educação

Embora tenham ampliado sua presença nas universidades, ainda enfrentam:

evasão escolar;

necessidade de trabalhar cedo;

dificuldades financeiras;

preconceito acadêmico.

As políticas de cotas contribuíram significativamente para ampliar o acesso ao ensino superior.

REPRESENTAÇÃO DAS MULHERES NEGRAS

No trabalho formal

Apesar dos avanços:

continuam sub-representadas em cargos executivos;

poucas ocupam diretorias;

pequena presença nos conselhos administrativos;

baixa participação em grandes empresas.

A presença diminui quanto maior é o nível hierárquico.

No movimento sindical

As mulheres negras possuem importante atuação histórica.

Participam de:

sindicatos urbanos;

sindicatos rurais;

centrais sindicais;

movimentos populares;

associações comunitárias.

Entretanto, ainda enfrentam dificuldades para alcançar a presidência de entidades sindicais e espaços de decisão.

Na política

Embora representem grande parcela da população brasileira, continuam sub-representadas:

Câmara dos Deputados;

Assembleias Legislativas;

Senado;

Prefeituras;

Governos estaduais.

A participação cresce lentamente, mas ainda está distante da proporcionalidade.

No Poder Judiciário

A presença de mulheres negras é reduzida entre:

juízas;

desembargadoras;

ministras;

procuradoras.

O sistema jurídico ainda apresenta baixa diversidade racial.

Nas universidades

Nos últimos anos ocorreu aumento significativo de professoras e pesquisadoras negras, mas sua participação ainda permanece inferior à representatividade da população.

Na mídia

Ainda existe pequena presença de mulheres negras como:

apresentadoras;

jornalistas;

diretoras;

produtoras;

protagonistas.

Quando aparecem, muitas vezes são associadas a papéis estereotipados.

SAÚDE

As mulheres negras apresentam maiores índices de:

mortalidade materna;

hipertensão;

diabetes;

dificuldades de acesso ao pré-natal;

atendimento inadequado.

Também sofrem maior incidência de violência obstétrica.

POBREZA

As mulheres negras estão entre os grupos mais afetados pela pobreza.

Consequências:

insegurança alimentar;

moradia precária;

menor acesso à saúde;

dificuldades educacionais para os filhos.

Muitas famílias brasileiras são sustentadas exclusivamente por mulheres negras.

DESAFIOS

Entre os principais desafios estão:

igualdade salarial;

combate ao racismo;

combate ao feminicídio;

ampliação da participação política;

maior presença em cargos de liderança;

educação de qualidade;

combate à violência doméstica;

fortalecimento das políticas públicas;

acesso à justiça.

CONQUISTAS IMPORTANTES

Apesar das dificuldades, ocorreram avanços importantes:

crescimento da escolarização;

aumento do acesso ao ensino superior;

fortalecimento dos movimentos de mulheres negras;

maior participação em concursos públicos;

expansão do empreendedorismo feminino;

fortalecimento das políticas de igualdade racial;

maior visibilidade na cultura, ciência e política.

CONCLUSÃO

A realidade das mulheres negras no Brasil revela profundas desigualdades produzidas pela combinação entre racismo estrutural e desigualdade de gênero. Apesar dos avanços conquistados por meio da organização dos movimentos sociais, das políticas públicas e da ampliação do acesso à educação, persistem desafios significativos relacionados à remuneração, violência, discriminação, acesso ao trabalho formal e ocupação de espaços de poder.

Promover a igualdade racial e de gênero exige ações contínuas do Estado, das empresas, das instituições e da sociedade, garantindo oportunidades, proteção e participação plena das mulheres negras em todos os setores da vida social. O enfrentamento dessas desigualdades é fundamental para a construção de um país mais justo, democrático e inclusivo.

A TRAJETÓRIA DE MARCOS BENEDITO NA CUT



Com base nos registros históricos disponíveis da própria CUT, a trajetória de Marcos Benedito à frente da Comissão Nacional Contra a Discriminação Racial da CUT (CNCDR/CUT) foi um dos momentos mais importantes da consolidação da política de igualdade racial dentro da Central Única dos Trabalhadores.

A eleição para a coordenação da CNCDR/CUT

Marcos Benedito foi eleito coordenador da CNCDR/CUT durante a composição da gestão 2007–2010, definida em encontro nacional realizado em agosto de 2007. A nova direção recebeu o desafio de fortalecer a luta antirracista no movimento sindical, ampliar a organização nacional da Comissão e estruturar um plano estratégico de atuação. Em dezembro de 2007, a Comissão realizou uma Oficina Nacional de Planejamento, reunindo representantes de diversos estados e secretarias da CUT para definir metas e prioridades para o período. �

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A gestão de Marcos Benedito

Sob sua coordenação, a CNCDR deixou de atuar apenas como um espaço de debates e passou a ter forte incidência política nacional. Entre os principais resultados da gestão destacam-se:

elaboração de planejamento nacional permanente para o combate ao racismo;

fortalecimento das comissões estaduais de combate à discriminação racial;

participação ativa nas discussões sobre o Estatuto da Igualdade Racial;

defesa da implementação da Lei 10.639/2003, que tornou obrigatório o ensino da História e Cultura Afro-Brasileira;

articulação com organismos internacionais, especialmente a Organização Internacional do Trabalho (OIT) e a Confederação Sindical Internacional (CSI);

participação da CUT na Conferência de Revisão de Durban, realizada na ONU, em Genebra, em 2009;

representação da CUT em importantes espaços nacionais, como o Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CNPIR) e o Congresso Nacional de Negras e Negros do Brasil (CONNEB). �

CUT - Central Única dos Trabalhadores · 2

A criação da Secretaria Nacional Contra a Discriminação Racial (SNCDR/CUT)

Talvez o maior legado da gestão tenha sido a transformação da Comissão em uma Secretaria Nacional.

Desde sua criação, em 1992, a CNCDR reivindicava que a pauta racial tivesse status permanente dentro da estrutura da CUT. Durante a gestão de Marcos Benedito, a Comissão organizou debates, seminários, encontros nacionais e articulou apoio junto às direções estaduais e nacional da Central.

Esse trabalho culminou na 12ª Plenária Nacional da CUT, realizada em agosto de 2008, quando foi aprovada a criação da Secretaria Nacional de Combate ao Racismo (posteriormente denominada Secretaria Nacional Contra a Discriminação Racial). A decisão representou o reconhecimento de que o enfrentamento ao racismo deveria integrar a estrutura política permanente da Central. �

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O próprio Marcos Benedito afirmou, em entrevista concedida em 2009:

"Fico muito feliz que a secretaria contra a discriminação racial tenha sido criada durante nossa gestão; isso significa que estamos no rumo certo e que conseguimos sensibilizar a direção cutista para a importância do tema." �

CUT - Central Única dos Trabalhadores

O papel da CNCDR na criação da Secretaria

A Secretaria não surgiu espontaneamente. Ela foi resultado direto do trabalho desenvolvido pela CNCDR, que:

organizou nacionalmente a militância antirracista da CUT;

formulou propostas políticas e estatutárias;

promoveu seminários nacionais sobre igualdade racial;

articulou sindicatos, federações e estaduais;

construiu consenso interno para que o combate ao racismo deixasse de ser apenas uma comissão temática e passasse a integrar oficialmente a estrutura executiva da CUT;

preparou a transição organizativa para a nova Secretaria Nacional. �

CUT - Central Única dos Trabalhadores · 2

Avaliação histórica

Historicamente, a gestão de Marcos Benedito é reconhecida por consolidar a política antirracista da CUT em nível nacional. Seu período à frente da CNCDR foi marcado pela profissionalização do planejamento, pela ampliação da representação institucional da Central em fóruns nacionais e internacionais e, sobretudo, pela conquista política da criação da Secretaria Nacional Contra a Discriminação Racial, considerada um marco na história da CUT e do sindicalismo brasileiro. 

https://www.cut.org.br/noticias/cncdr-cut-b293?utm_source=chatgpt.com

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https://www.cut.org.br/artigos/criacao-da-secretaria-de-combate-ao-racismo-fortalece-a-luta-sindical?utm_source=chatgpt.com



sexta-feira, 17 de julho de 2026

Relatório Executivo de Observação do Banco Santander S.A

O Relatório Executivo de Observação do Banco Santander S.A., elaborado pelo Instituto Observatório Social em 2001, é um dos estudos mais detalhados sobre as relações de trabalho no banco naquele período. A pesquisa foi realizada entre setembro de 2000 e agosto de 2001, logo após a expansão do Santander no Brasil, incluindo a incorporação do Banespa. �

OBSERVATÓRIO SOCIAL


Entre as principais conclusões do relatório, destacam-se:

Liberdade sindical: o estudo afirma que o banco demonstrava pouca disposição para negociar diretamente com os sindicatos, fazendo-o, segundo o relatório, apenas sob forte pressão. Também apontava dificuldades de acesso dos representantes sindicais a informações importantes para as negociações. �


Saúde e segurança do trabalho: o documento identificou como principal doença ocupacional entre os trabalhadores as LER/DORT (Lesões por Esforços Repetitivos/Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho). Entre as falhas apontadas estavam mobiliário inadequado, treinamentos insuficientes, ausência de pausas efetivas, excesso de jornada e deficiência nas ações preventivas. �


Saúde mental: trabalhadores entrevistados relataram elevados níveis de estresse, desânimo, depressão e irritação, considerados pelo estudo como problemas relacionados ao ambiente e à organização do trabalho. �


CIPA: o relatório concluiu que a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA) tinha atuação limitada, com baixa participação dos trabalhadores e influência da empresa no processo eleitoral, comprometendo sua independência. �

Planos de saúde: foram registradas reclamações sobre cobrança de franquias, diferenças no atendimento conforme o nível hierárquico e dificuldades no acesso à assistência médica em algumas unidades. �


Responsabilidade social: apesar de o Santander integrar o Instituto Ethos, o Observatório Social avaliou que as iniciativas sociais do banco eram, naquele momento, pouco expressivas em áreas como meio ambiente, combate à discriminação e promoção dos direitos humanos. �


O relatório enfatiza que sua metodologia não buscava apenas identificar violações, mas também verificar como a empresa reagia aos problemas, quais mecanismos preventivos adotava e se promovia uma cultura de respeito aos direitos fundamentais do trabalho, conforme as convenções da Organização Internacional do Trabalho (OIT). �

É importante observar que esse documento retrata a realidade investigada entre 2000 e 2001. Desde então, o Santander afirma ter implementado diversas políticas de negociação coletiva, saúde, segurança, diversidade e responsabilidade social, descritas em seus relatórios anuais e de sustentabilidade mais recentes. �

O Relatório Executivo de Observação do Banco Santander S.A., elaborado pelo Instituto Observatório Social em 2001, é um dos estudos mais detalhados sobre as relações de trabalho no banco naquele período. A pesquisa foi realizada entre setembro de 2000 e agosto de 2001, logo após a expansão do Santander no Brasil, incluindo a incorporação do Banespa.


quinta-feira, 12 de março de 2026

A construção da política de combate ao racismo na CUT - Por: Asseplan

 


Da Comissão Nacional contra a Discriminação Racial à criação da Secretaria Nacional de Combate ao Racismo

A luta contra o racismo dentro da Central Única dos Trabalhadores (CUT) não surgiu de forma espontânea nem foi resultado de uma decisão isolada. Ela foi construída ao longo de anos de mobilização, reflexão política, formação sindical e organização de trabalhadores comprometidos com a igualdade racial.

A criação da Secretaria Nacional de Combate ao Racismo da CUT representa um marco histórico dentro do movimento sindical brasileiro. No entanto, para compreender plenamente esse momento, é necessário reconhecer e valorizar o processo que o antecedeu: a atuação decisiva da Comissão Nacional contra a Discriminação Racial da CUT, que foi responsável por preparar o terreno político, organizativo e formativo que tornaria possível a institucionalização dessa política dentro da central.

A Comissão Nacional contra a Discriminação Racial da CUT

Antes da criação da Secretaria Nacional de Combate ao Racismo, a CUT organizou a Comissão Nacional contra a Discriminação Racial, um espaço político e organizativo dedicado a discutir e enfrentar o racismo no mundo do trabalho.

A comissão surgiu em um momento em que o movimento sindical brasileiro começava a aprofundar sua compreensão sobre as desigualdades estruturais presentes na sociedade brasileira, reconhecendo que a exploração do trabalho também estava profundamente marcada por desigualdades raciais.

A Comissão Nacional contra a Discriminação Racial passou então a desempenhar um papel fundamental dentro da CUT, com objetivos claros:

inserir o debate sobre racismo na agenda do movimento sindical

denunciar práticas de discriminação racial no mundo do trabalho

promover a formação política e sindical sobre igualdade racial

articular trabalhadores e dirigentes sindicais comprometidos com essa pauta

construir propostas de políticas sindicais de combate à discriminação racial

Esse espaço tornou-se, ao longo dos anos, um verdadeiro laboratório político de reflexão, debate e construção coletiva dentro da CUT.

A coordenação nacional da comissão

No período que antecedeu a criação da secretaria nacional, a Comissão Nacional contra a Discriminação Racial teve como último coordenador nacional o dirigente sindical bancário Marcos Benedito da Silva.

Sob sua coordenação, a comissão passou por um importante processo de reorganização e fortalecimento. O trabalho desenvolvido nesse período foi decisivo para ampliar o alcance da discussão sobre racismo dentro da central sindical.

A atuação de Marcos Benedito da Silva contribuiu para:

ampliar o diálogo com sindicatos de diferentes categorias

estimular o debate sobre igualdade racial nas CUTs estaduais

promover encontros e reuniões de articulação nacional

incentivar processos de formação política e sindical sobre o tema

Esse trabalho ajudou a consolidar o entendimento de que o combate ao racismo deveria ser tratado como uma política permanente dentro da estrutura da CUT, e não apenas como uma pauta ocasional.

Cursos de formação e capacitação sindical

Um dos pilares do trabalho desenvolvido pela Comissão Nacional contra a Discriminação Racial foi a formação política e sindical.

Foram realizados diversos cursos de capacitação em várias regiões do país, reunindo dirigentes sindicais, militantes e trabalhadores interessados em aprofundar o debate sobre igualdade racial.

Esses cursos abordavam temas fundamentais, como:

racismo estrutural na sociedade brasileira

desigualdade racial no mercado de trabalho

discriminação racial nas relações de trabalho

legislação brasileira de combate à discriminação

políticas de inclusão e ações afirmativas

organização de coletivos de igualdade racial dentro dos sindicatos

A formação teve um papel estratégico, pois buscava preparar dirigentes sindicais capazes de levar o debate racial para dentro de suas categorias e locais de trabalho.

Esse processo contribuiu para criar uma base política sólida dentro do movimento sindical, fortalecendo a consciência de que a luta por justiça social também passa necessariamente pelo enfrentamento ao racismo.

Encontros nacionais e regionais

Além das atividades de formação, a Comissão Nacional contra a Discriminação Racial promoveu diversos encontros nacionais e regionais, que se tornaram espaços importantes de troca de experiências e construção política coletiva.

Nesses encontros, dirigentes e militantes discutiam:

experiências de combate ao racismo nos sindicatos

situações de discriminação vividas por trabalhadores negros

formas de ampliar a participação de trabalhadores negros nas direções sindicais

estratégias de enfrentamento ao racismo no mundo do trabalho

Esses encontros permitiram fortalecer uma rede nacional de sindicalistas comprometidos com a luta antirracista, ampliando o diálogo entre diferentes categorias e regiões do país.

Debates e reuniões nos sindicatos

O trabalho da comissão também se estendeu para dentro dos sindicatos. Diversas entidades passaram a organizar reuniões, seminários e debates sobre racismo e igualdade racial.

Essas discussões ocorreram em sindicatos de diferentes categorias, entre elas:

bancários

metalúrgicos

professores

servidores públicos

trabalhadores da saúde

trabalhadores rurais

Nesses espaços eram discutidos temas como:

desigualdade racial nas empresas

dificuldades de ascensão profissional de trabalhadores negros

discriminação nos ambientes de trabalho

representatividade negra nas direções sindicais

Esse processo foi fundamental para levar o debate racial para a base do movimento sindical, aproximando a discussão da realidade concreta vivida pelos trabalhadores.

A construção política da Secretaria Nacional de Combate ao Racismo

Com o acúmulo de debates, formações e articulações promovidas pela Comissão Nacional contra a Discriminação Racial, começou a amadurecer dentro da CUT a compreensão de que era necessário dar um passo adiante.

A luta contra o racismo precisava deixar de ser conduzida apenas por uma comissão e passar a integrar de forma permanente a estrutura organizativa da central sindical.

A própria comissão passou então a defender a criação de uma secretaria nacional específica para tratar da questão racial.

Esse debate foi construído gradualmente em:

reuniões nacionais da comissão

encontros sindicais

debates nas CUTs estaduais

plenárias e congressos da central

A proposta foi ganhando apoio entre dirigentes e militantes, consolidando a ideia de que o combate ao racismo deveria ocupar um lugar estruturado dentro da política sindical da CUT.

A criação da Secretaria Nacional de Combate ao Racismo

Como resultado desse processo histórico de mobilização e construção política, a CUT decidiu instituir oficialmente a Secretaria Nacional de Combate ao Racismo.

A criação da secretaria representou a consolidação institucional de uma luta que vinha sendo construída ao longo de muitos anos por trabalhadores, militantes e dirigentes sindicais comprometidos com a igualdade racial.

A nova secretaria passou a ter como principais objetivos:

combater o racismo no mundo do trabalho

formular políticas sindicais de igualdade racial

promover formação política e sindical sobre o tema

fortalecer coletivos e iniciativas antirracistas dentro dos sindicatos

ampliar a participação de trabalhadores negros nas estruturas do movimento sindical

articular o movimento sindical com organizações do movimento negro e outras entidades da sociedade civil

Um marco na história do movimento sindical brasileiro

A criação da Secretaria Nacional de Combate ao Racismo da CUT representa um marco importante na história do movimento sindical brasileiro.

Ela simboliza o reconhecimento de que a luta da classe trabalhadora também passa pelo enfrentamento das desigualdades raciais que marcam profundamente a sociedade brasileira.

Esse avanço só foi possível graças ao trabalho desenvolvido anteriormente pela Comissão Nacional contra a Discriminação Racial, que desempenhou um papel essencial na organização, formação e mobilização de trabalhadores e dirigentes sindicais em todo o país.

A atuação de militantes e dirigentes comprometidos com essa pauta — entre eles o dirigente sindical bancário Marcos Benedito da Silva, que coordenou a comissão nacional no período que antecedeu a criação da secretaria — foi fundamental para consolidar as bases políticas que tornaram possível esse passo histórico.

Assim, a Secretaria Nacional de Combate ao Racismo da CUT não surgiu apenas como uma nova estrutura organizativa, mas como o resultado de um processo coletivo de construção política dentro do movimento sindical brasileiro, fruto de anos de debate, formação, mobilização e compromisso com a luta por justiça social e igualdade racial.

domingo, 1 de março de 2026

Marcos Benedito da Silva: Uma Vida de Luta, Justiça e Igualdade


A história de Marcos Benedito da Silva é marcada por coragem, determinação e compromisso com a dignidade humana. Desde os primeiros passos no movimento sindical até a militância antirracismo na CUT, sua trajetória é um exemplo de como a vida profissional e social pode se transformar em instrumento de transformação coletiva.

Primeiros Passos no Movimento Sindical

No final da década de 1970, o Brasil vivia o período final da ditadura militar, e a organização dos trabalhadores era uma tarefa delicada e desafiadora. Marcos Benedito iniciou sua caminhada ainda jovem, trabalhando como auxiliar administrativo no Banco Itaú.

Entre 1978 e 1983, ele se destacou por sua capacidade de ouvir, organizar e mobilizar colegas. Lembranças simples da época, como chegar ao banco com quinze minutos de atraso sem tempo de se trocar para o uniforme, revelam a vida intensa e muitas vezes sufocante do trabalhador bancário da época. Esses momentos marcaram o início de sua consciência sobre a importância da solidariedade entre colegas e da luta por direitos.

Sua atuação nessa fase não se limitava a reivindicações salariais. Ele buscava fortalecer a unidade da categoria, entendendo que só uma classe organizada poderia enfrentar os desafios da época.

Segurança e Saúde: A CIPA

Em 1990, Marcos Benedito participou da eleição para a CIPA no Banco Noroeste, experiência que ampliou sua visão sobre segurança e saúde no trabalho. Ele percebeu que proteger os trabalhadores não era apenas evitar acidentes: era preservar vidas, saúde e dignidade.

Essa experiência também mostrou a importância de documentação, fiscalização e acompanhamento de casos reais, preparando-o para desafios maiores que viriam nos anos seguintes.

O GTSB: Lutando Pela Saúde do Trabalhador

A década de 1990 trouxe reestruturações profundas no setor bancário. A informatização, a redução de quadros e a imposição de metas cada vez mais agressivas resultaram em um aumento expressivo do adoecimento da categoria — físico e mental.

Em 1999, Marcos Benedito integrou o GTSB – Grupo de Trabalho de Saúde do Bancário, criado pelo Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região. Nesse grupo, ele desempenhou um papel estratégico:

Produziu estudos sobre LER/DORT e saúde mental;

Acompanhou bancários afastados e orientou na emissão de CAT;

Dialogou com médicos do trabalho, psicólogos, ergonomistas e advogados;

Participou de negociações de cláusulas de saúde nas convenções coletivas;

Organizou seminários e debates, conscientizando a categoria sobre prevenção e qualidade de vida.

Marcos Benedito entendeu, antes de muitos, que a saúde do trabalhador não era uma questão individual, mas estrutural. Seu trabalho ajudou a transformar a saúde em eixo central da luta sindical, e não apenas um tema secundário.

Gestão Pública: Transformando Políticas em Realidade

Além da atuação sindical, Marcos Benedito levou sua experiência para a gestão pública. Entre 2010 e 2016, atuou em Araçatuba em assessoria junto à administração municipal, colaborando em ações concretas:

Regularização de documentos de igrejas e instituições comunitárias;

Recapeamento de ruas e instalação de semáforos em regiões próximas a centros comunitários;

Diálogo com lideranças locais e promoção de políticas de inclusão social.

Sua atuação mostrou que a experiência sindical pode ser transformadora fora do sindicato, impactando a vida de comunidades inteiras.

Militância Antirracismo na CUT

Paralelamente, Marcos Benedito se engajou na militância antirracismo pela Central Única dos Trabalhadores (CUT). Ele participou da construção de debates sobre igualdade racial, inclusão no ambiente de trabalho e acesso a cargos de liderança.

Entre suas ações destacam-se:

Organização de campanhas de conscientização;

Formação de dirigentes sindicais sobre combate à discriminação racial;

Apoiou políticas de inclusão e fortalecimento de trabalhadores negros na base sindical.

Essa militância reforçou sua convicção: a luta pelos direitos dos trabalhadores e a luta contra a desigualdade racial são causas inseparáveis.

Um Legado de Coragem e Solidariedade

A trajetória de Marcos Benedito da Silva é a história de quem entendeu que lutar pelos outros é também lutar por si mesmo. Seu legado une três dimensões:

Sindicalismo: defesa da saúde e dignidade do trabalhador bancário;

Gestão pública: transformação concreta das políticas e serviços à comunidade;

Antirracismo: promoção da igualdade racial e inclusão social.

Cada etapa de sua vida mostra que engajamento, conhecimento técnico e consciência social caminham juntos. Ele prova que a luta sindical e social não é apenas uma questão de direito ou dever, mas de humanidade.

Marcos Benedito deixa, assim, um exemplo vivo de como a dedicação contínua à justiça, à equidade e à solidariedade pode transformar vidas e inspirar gerações.

quinta-feira, 13 de novembro de 2025

Conheça a trajetória de Marcos Benedito

Conheça a trajetória de Marcos Benedito

Diretor do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região (1991/2008).

Coordenou a Comissão de Empresa do Santander no Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região 1998/2001.

Coordenou o GTSB (Grupo de Trabalho do Santander) (1991/2003).

Conselheiro da CONTRAF/CUT (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro da CUT) na gestão 2(2008/2010).

Representante da CUT no CNPIR (Conselho Nacional da Promoção da Igualdade Racial).

Representante da CUT Nacional no INSPIR (2008/2010).

Secretário Geral da AFUBESP (Associação dos Funcionários do Santander Banespa).

Coordenou a Comissão Nacional Contra a Discriminação Racial (CNCDR/CUT) da CUT (2007/2010).

Membro da Executiva da CNB/CUT (Confederação Nacional dos Bancários) e da CONTRAF/CUT (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro) 2001/2007.

Presidente do INSPIR (Instituto Sindical Interamericano Pela Promoção da Igualdade Racial) no ano de (2008/2009).

Participou do CONCLAT (Congresso da Classe Trabalhadora que fundou a Central Única dos Trabalhadores) em 1983 no Pavilhão Vera Cruz em São Bernardo.

Facilitador do processo de construção do FCCN (Fórum da Construção da Consciência Negra de Araçatuba).

Membro suplente no Conselho Municipal de Políticas Culturais de Araçatuba.

Genebra em 2009 da Revisão de Durban, como membro da Delegação Oficial do Brasil e na Representação Sindical da América Latina e Caribe.

CONAPIR (Conferência Nacional da Promoção da Igualdade Racial).

PLANAPIR (Plano Nacional da promoção da Igualdade Racial).

Audiência Pública do STF (Supremo Tribunal Federal) sobre cotas nas universidades.

CONNEB (Participou da Coordenação do Congresso de Negras e Negros do Brasil.

Marcha da Consciência Negra Participação na (Coordenação representando a CUT).

Marcha Noturna (Participação na Coordenação, representando a CUT. 

Ato da Assinatura do Participou da elaboração e aprovação do Estatuto da Igualdade Racial na Representação do Conselho Nacional da Promoção da Igualdade Racial da Secretaria Especial de Promoção da Igualdade Racial (CNPIR/SEPPIR).

Países em que atuou representando a Central Única dos Trabalhadores (CUT), o Sindicato dos Bancários de Osasco e Região (SEEB/SP), o Instituto Sindical Interamericano Pela Igualdade Racial (INSPIR) e a SEPPIR: 

México, Chile, Uruguai, Argentina, Espanha e Suiça. Além de vários estados brasileiros.

Genebra em 2009, da Revisão de Durban, como membro da Delegação Oficial do Brasil e na Representação Sindical da América Latina e Caribe.

Experiências em Araçatuba:

Diretor de Afirmação de Direitos na Secretaria Municipal de Participação Cidadã da Prefeitura Municipal de Araçatuba (2010/2011).

Assessor de Gabinete do Prefeito na Ação Regional da Prefeitura Municipal de Araçatuba (2011/2012).

Assessor de Elaboração de Projetos e Planejamento da Secretaria Municipal de Educação de Araçatuba (2012/ 2016).

Membro suplente do Conselho Municipal de Políticas Culturais de Araçatuba.

Membro do Fórum da Construção da Consciência Negra (FCCN Araçatuba).

Coordenador do Núcleo de Estudo Afro-brasileiro de Araçatuba (NEAB-Araçatuba).

Assessor de Planejamento da Secretaria de Educação da Prefeitura Municipal de Araçatuba.

domingo, 21 de setembro de 2025

Criação da Secretaria de Combate ao Racismo da CUT - Por: Marcos Benedito - Fonte: Página da CUT

 Criação da Secretaria de Combate ao Racismo fortalece a luta sindical

 Publicado: 13 Agosto, 2008 - 00h00

A Comissão Nacional Contra a Discriminação Racial da CUT (CNCDR/CUT), foi criada em 1992 com o objetivo de elaborar políticas de combate ao racismo para o movimento sindical, e de fortalecimento, junto aos demais movimentos e organizações, da luta anti-racial e pela conquista de direitos no Brasil.

Sabemos que essas lutas não são tarefas fáceis, possuem um histórico de avanços e retrocessos. A formação social brasileira foi profundamente marcada pela subordinação a um determinado desenvolvimento econômico que explorou riquezas e povos. A escravização do povo africano, o extermínio de povos indígenas e acumulação de riquezas nas mãos de poucos foram as marcas desse processo. Depois de formalmente abolida a escravidão no Brasil, a exploração, a marginalização e o preconceito continuaram a existir, sob formas distintas.

Desde os quilombos, passando por inúmeras revoltas populares até as diversas organizações do movimento negro e sindical, a luta foi travada arduamente. Fruto dessa luta histórica, nos últimos anos foi produzido um debate fecundo e importantes iniciativas foram colocadas em práticas para atenuar essas mazelas. O avanço desse processo dependerá da capacidade de luta que o movimento negro imprimir.

De nossa parte, acreditamos que demos um passo importante nesse sentido com a criação da Secretaria de Combate ao Racismo da CUT. Não se trata apenas de uma medida administrativa, ela é fruto do acúmulo de milhares de militantes que se dedicaram, no interior da CUT e do movimento sindical, a pautarem as questões étnicas e raciais na luta da classe trabalhadora. Essa atual conquista não se daria sem a valiosa contribuição de todos e todas que construíram a CNCDR ao longo desses anos.

Até o próximo Congresso da CUT nossa tarefa é acumular ainda mais para que a Secretaria seja um espaço plural e democrático para os desafios futuros. Nesse sentido, é fundamental aprofundarmos os debates sobre a questão do Estatuto da Igualdade Racial e das Convenções 100 e 111 da OIT – cuja cartilha já está em processo de finalização, além de prosseguirmos com as demais ações aprovadas no Seminário Nacional de Salvador.

A luta do povo negro, se pautando pela devida relação entre as questões específicas do movimento com as lutas gerais da classe trabalhadora, fortalecerá ainda mais o movimento sindical brasileiro e criará as condições de igualdade étnica e racial que tanto defendemos. Um passo dado, mas nossa marcha continua.

A Luta Pelos Direitos dos Bancários do Banco Noroeste - Por: Marcos Benedito - ASSEPLAN - 20/09/2025

Durante o período de organização sindical no Banco Noroeste, uma das principais bandeiras levantadas pelos trabalhadores foi a necessidade de eleger um representante no Norprev, o fundo de previdência da instituição.

A reivindicação partia da compreensão de que apenas com participação direta seria possível fiscalizar a aplicação dos recursos e garantir que os interesses dos funcionários fossem respeitados. Sem essa presença, as decisões ficavam restritas à direção do banco, muitas vezes contrárias às necessidades da categoria.

Compromissos com os Funcionários do Noroeste

No processo de mobilização, os bancários firmaram compromissos claros com os colegas da instituição, reafirmando sua disposição de lutar por:

Cumprimento da jornada legal de trabalho estabelecida em lei;

Melhores condições de trabalho, com respeito à saúde e à dignidade do trabalhador;

Participação ativa nas decisões que envolvem o futuro da categoria;

Apoio permanente às reivindicações salariais e às negociações coletivas;

Fortalecimento da unidade sindical, entendida como instrumento essencial para enfrentar o poder econômico dos bancos.

Esses pontos representavam não apenas promessas eleitorais, mas um compromisso político e coletivo de que a organização sindical serviria como voz legítima dos trabalhadores dentro e fora da empresa.

A denúncia: desrespeito à jornada de 6 horas

Entre as principais denúncias estava o desrespeito à jornada de 6 horas, direito conquistado pela categoria bancária. O Banco Noroeste, como outros do setor, exigia na prática jornadas mais longas, submetendo seus funcionários à exploração e ao desgaste físico e emocional.

Essa luta pelo cumprimento da lei se tornou símbolo da resistência: um chamado à mobilização dos bancários para que seus direitos não fossem apenas garantidos no papel, mas efetivamente respeitados no dia a dia.

Esse documento revela um período histórico em que os trabalhadores do Banco Noroeste se organizaram para conquistar espaço de representação, defender seus direitos previdenciários e enfrentar práticas abusivas, consolidando assim uma memória de luta que marcou a categoria bancária no Brasil.

(Compromissos assumidos por Marcos Benedito, que exerceu a reapresentação sindical na Chapa 1 do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região entre o ano de 1991 a 2010.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2022

terça-feira, 16 de novembro de 2021

QUALIDADES DE UM LÍDER - Por: Marcos Benedito



"Algumas pessoas, dizem que um verdadeiro líder, não deve expor às suas opiniões, deve se preservar, usar de sutileza, para não decepcionar os seus liderados, que, em geral, nem sempre estão prontos, para aceitar um posicionamento mais claro e objetivo.

Bem, eu jamais serviria para ser um líder, pois na minha concepção, uma liderança, é aquela que age com transparência, que compartilha os seus ideais, que manifesta abertamente a sua opinião, que não se esconde do debate franco e aberto.

Na minha modesta opinião, as pessoas tendem a apoiar, líderes que são capazes de dizer o que pensam, sendo sinceros, honestos e sobretudo; dignos de total confiança daqueles que o seguem!"

terça-feira, 28 de setembro de 2021

Comissão da CUT na linha de frente da Conferência Nacional da Promoção da Igualdade Racial - Publicado: 03 Julho, 2009 - Escrito por: Leonardo Severo

 

Contra a discriminação e o preconceito

 

notice

A Comissão Nacional Contra a Discriminação Racial da CUT (CNCDR) participou da II Conferência Nacional da Promoção da Igualdade Racial (CONPAPIR), realizada entre os dias 25 e 28 de junho no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília.

Durante o encontro, os 1.214 delegados debateram temas fundamentais para o segmento, como a aprovação do Estatuto da Igualdade Racial, que tramita na Câmara como PL 6264/05, a aprovação das cotas nas instituições de ensino superior, a construção de centros de capacitação profissional, a saúde, e garantias de programas de primeiro emprego para a população negra.

Sob a coordenação de Marcos Benedito, da Comissão Nacional Contra a Discriminação Racial (CNCDR/CUT), os militantes da central participaram de todas as etapas de discussão, do conjunto dos debates, contribuindo decisivamente no plenário para o avanço da pauta. "Como resultado desta atuação, os trabalhadores conseguiram inserir como proposta de atuação para o próximo período a luta pela implementação da Convenção n.º 100 da OIT (relativa à Igualdade de Remuneração entre a mão-de-obra masculina e feminina em trabalho de valor igual), a luta pela implementação da Convenção n.º 111 da OIT (sobre a Discriminação em matéria de Emprego e Profissão) e a Agenda do Trabalho Decente", declarou Marcos Benedito.

TRABALHO DECENTE

Conforme a OIT, Trabalho Decente é um trabalho produtivo e adequadamente remunerado, exercido em condições de liberdade, eqüidade, e segurança, sem quaisquer formas de discriminação, e capaz de garantir uma vida digna a todas as pessoas que vivem de seu trabalho. Os quatro eixos centrais da Agenda do Trabalho Decente são a criação de emprego de qualidade para homens e mulheres, a extensão da proteção social, a promoção e fortalecimento do diálogo social e o respeito aos princípios e direitos fundamentais no trabalho, expressos na Declaração dos Direitos e Princípios Fundamentais no Trabalho da OIT, adotada em 1998.

Os quatro principais eixos da Agenda do Trabalho Decente são: Liberdade de associação e de organização sindical e reconhecimento efetivo do direito de negociação coletiva (Convenções 87 e 98); Eliminação de todas as formas de trabalho forçado ou obrigatório (Convenções 29 e 105); Abolição efetiva do trabalho infantil (Convenções 138 e 182); Eliminação da discriminação em matéria de emprego e ocupação (Convenções 100 e 111).

Recentemente a CNCDR/CUT participou da Revisão do Tratado de Durban ,em Genebra. A CUT também está representada na coordenação do CONNEB (Congresso Nacional de Negras e Negros do Brasil - Por um Projeto Político Para a Nação), que é composto pelas principais entidades representativas do movimento negro, também participa da CNPIR (Conselho Nacional da Promoção da Igualdade Racial) e da Comissão de Gênero e Raça do Ministério do Trabalho e Emprego.

Neste momento, frisou Marcos Benedito, a CNCDR/CUT está empenhada na luta pela aprovação do Estatuto da Igualdade Racial, do Projeto de Lei de Cotas que prevê a reserva de cotas nas escolas públicas, federais, públicas e privadas de ensino médio e fundamental, e pelo desenvolvimento do Plano Nacional da Promoção da Igualdade Racial pela implementação da Lei 10.639/03, visando promover a inclusão e a igualdade de oportunidades e de remuneração das populações negra, indígena, quilombola e cigana no mercado de trabalho, com destaque para a juventude e as trabalhadoras domésticas. "Queremos promover a eqüidade de gênero, raça e etnia nas relações de trabalho e combater as discriminações ao acesso e na relação de emprego, trabalho ou ocupação. Nosso compromisso é o de combater o racismo nas instituições públicas e privadas, fortalecendo os mecanismos de fiscalização quanto à prática de discriminação racial no mercado de trabalho", acrescentou.

"A atuação da nossa Comissão exemplifica o tipo de trabalho que será realizado pela Secretaria Nacional de Combate ao Racismo da CUT. Com a Secretaria, potencializaremos a luta contra a discriminação racial, o preconceito e o racismo no mundo do trabalho e na sociedade", ressaltou Marcos Benedito.

Entre os inúmeros pontos do Estatuto da Igualdade Racial destacamos: 1 - Ações que assegurem igualdade de oportunidade no mercado de trabalho; 2 - Implementação de cotas mínimas das vagas de todas as instituições públicas e privadas de educação superior do território nacional; 3 - Instituição de Conselhos (nacional, estadual e municipal) de Promoção da Igualdade Racial deliberativos para a promoção de políticas de combate à desigualdade e à discriminação racial; 4 - Políticas sociais e econômicas destinadas à redução do risco de doenças; acesso universal e igualitário ao Sistema Único de Saúde para proteção e recuperação da saúde da população afro-brasileira; 5 - Ações afirmativas destinadas a enfrentar as desigualdades raciais nas esferas da cultura, esporte e lazer e meios de comunicação e 6 - Liberdade de crença e de manifestações religiosas de matrizes africanas, individuais e coletivas, em público ou em ambiente fechado.

DEFESA DA PETROBRÁS

Os delegados presentes também aprovaram por unanimidade um Manifesto à Nação em defesa da Petrobrás: "Um dos mais expressivos patrimônios do povo brasileiro está ameaçado. A Petrobrás é uma empresa símbolo da competência e do sucesso do país, contudo está sendo alvo de denuncismo irresponsável", denuncia o documento, alertando que "está em jogo a soberania e o direito do povo brasileiro de compartilhar da riqueza encontrada em seu subsolo, já que a exploração do pré-sal é um dos pilares do modelo de distribuição de renda para as próximas gerações brasileiras".

"A Petrobrás é uma empresa parceira do movimento pela igualdade racial", que "vem colaborando para a consolidação da política de superação das históricas injustiças a que a população negra do país está submetida". "Por meio do apoio às iniciativas de geração de renda, ações afirmativas, reconhecimento e valorização da cultura afro-brasileira, a empresa vem contribuindo para o enfrentamento do preconceito racial. Preconceito este que, lamentavelmente, está presente em nosso país e implica a exclusão da população negra das universidades, da educação básica, do mercado de trabalho e dos postos de poder, perpetuando um ciclo de desigualdade e miséria", acrescenta o documento.

"As organizações negras se agigantam para protestar e defender uma das maiores conquistas do povo brasileiro. Convidamos as entidades da sociedade civil para fazerem coro neste manifesto em defesa da Petrobrás. Repudiamos essa nova tentativa de atingir a imagem da maior empresa do país, parceira de nossas lutas e conquistas. Estamos comprometidos no mais ferrenho engajamento em sua defesa. O pré-sal é nosso! O petróleo é nosso. E a Petrobrás é do povo brasileiro!", concluiu o manifesto.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

ENTREVISTA DE MARCOS BENEDITO SOBRE O MAPA DA DIVERSIDADE


 Entrevista com Marcos Benedito, coordenador da Comissão Nacional Contra a Discriminação Racial da CUT (CNCDR/CUT), sobre a pesquisa Mapa da Diversidade. Por Renata Silver, da Rede de Comunicação dos Bancários.

ENTREVISTA DE MARCOS BENEDITO - CRIAÇÃO DO ESTATUTO DA IGUALDADE RACIAL - TV RECORD


 

CONTATO PARA ATIVIDADES RELACIONADAS AO TEMA IGUALDADE RACIAL

 

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Relato de Marcos Benedito, sobre a criação da Secretaria Nacional de Combate ao Racismo da CUT


 

Marcos Benedito, foi o último coordenador da Comissão Nacional Contra a Discriminação Racial (CNCDR/CUT). Foi na gestão dele, que houve uma grande articulação nacional, que culminou com a criação da Secretaria Nacional de Combate ao Racismo da CUT (SNCDR/CUT).


MARCOS BENEDITO - TRAJETÓRIA

Diretor do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região (1991/2008).

Coordenou a Comissão de Empresa do Santander no Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região 1998/2001.

Coordenou o GTSB (Grupo de Trabalho do Santander) (1991/2003).

Conselheiro da CONTRAF/CUT (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro da CUT) na gestão 2(2008/2010).

Representante da CUT no CNPIR (Conselho Nacional da Promoção da Igualdade Racial).

Representante da CUT Nacional no INSPIR (2008/2010).

Secretário Geral da AFUBESP (Associação dos Funcionários do Santander Banespa).

Coordenou a Comissão Nacional Contra a Discriminação Racial (CNCDR/CUT) da CUT (2007/2010).

Membro da Executiva da CNB/CUT (Confederação Nacional dos Bancários) e da CONTRAF/CUT (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro) 2001/2007.

Presidente do INSPIR (Instituto Sindical Interamericano Pela Promoção da Igualdade Racial) no ano de (2008/2009).

Participou do CONCLAT (Congresso da Classe Trabalhadora que fundou a Central Única dos Trabalhadores) em 1983 no Pavilhão Vera Cruz em São Bernardo.

Facilitador do processo de construção do FCCN (Fórum da Construção da Consciência Negra de Araçatuba).

Membro suplente no Conselho Municipal de Políticas Culturais de Araçatuba.

Genebra em 2009 da Revisão de Durban, como membro da Delegação Oficial do Brasil e na Representação Sindical da América Latina e Caribe.

CONAPIR (Conferência Nacional da Promoção da Igualdade Racial).

PLANAPIR (Plano Nacional da promoção da Igualdade Racial).

Audiência Pública do STF (Supremo Tribunal Federal) sobre cotas nas universidades.
CONNEB (Participou da Coordenação do Congresso de Negras e Negros do Brasil.

Marcha da Consciência Negra Participação na (Coordenação representando a CUT).

Marcha Noturna (Participação na Coordenação, representando a CUT. 

Participou da elaboração e aprovação do Estatuto da Igualdade Racial na Representação do Conselho Nacional da Promoção da Igualdade Racial da Secretaria Especial de Promoção da Igualdade Racial (CNPIR/SEPPIR).

Países em que atuou representando a Central Única dos Trabalhadores (CUT), o Sindicato dos Bancários de Osasco e Região (SEEB/SP), o Instituto Sindical Interamericano Pela Igualdade Racial (INSPIR) e a SEPPIR: 

México, Chile, Uruguai, Argentina, Espanha e Suiça. Além de vários estados brasileiros.

Genebra em 2009, da Revisão de Durban, como membro da Delegação Oficial do Brasil e na Representação Sindical da América Latina e Caribe.

Experiências em Araçatuba:

Diretor de Afirmação de Direitos na Secretaria Municipal de Participação Cidadã da Prefeitura Municipal de Araçatuba (2010/2011).

Assessor de Gabinete do Prefeito na Ação Regional da Prefeitura Municipal de Araçatuba (2011/2012).

Assessor de Elaboração de Projetos e Planejamento da Secretaria Municipal de Educação de Araçatuba (2012/ 2016).

Membro suplente do Conselho Municipal de Políticas Culturais de Araçatuba.

Membro do Fórum da Construção da Consciência Negra (FCCN Araçatuba).

Coordenador do Núcleo de Estudo Afro-brasileiro de Araçatuba (NEAB-Araçatuba).

Assessor de Planejamento da Secretaria de Educação da Prefeitura Municipal de Araçatuba.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2020

A CRIAÇÃO DA SECRETARIA NACIONAL DE COMBATE AO RACISMO DA CUT - POR: CUT


 Relato de Marcos Benedito, sobre a criação da Secretaria Nacional de Combate ao Racismo da CUT.

(Marcos Benedito, foi o último coordenador da Comissão Nacional Contra a Discriminação Racial (CNCDR/CUT). Foi na gestão dele, que houve uma grande articulação nacional, que culminou com a criação da Secretaria Nacional de Combate ao Racismo da CUT (SNCDR/CUT).

Marcos Benedito: contra a discriminação racial - Fonte: Ana Paula Carrion, CUT

 A partir do mês de agosto a Central Única dos Trabalhadores contará com mais uma secretaria em sua estrutura, desta vez, contra a discriminação racial. O Portal Mundo Trabalho entrevistou o atual coordenador da ainda Comissão Nacional Contra a Discriminação Racial, Marcos Benedito, que falou sobre sua experiência frente à comissão e suas perspectivas para futura secretaria.

Portal – Como você avalia o andamento do tema no interior da CUT?

Marcos – Fico muito feliz que a secretaria contra a discriminação racial ter sido criada durante nossa gestão, isso significa, que estamos no rumo certo e que conseguimos sensibilizar na atual direção cutista para a importância do tema.

Além disso, tivemos oportunidades importantes que qualificaram significativamente o nosso debate. A nossa última experiência em parceria com a CSI e OIT, foi a participação na Conferência de Revisão do Tratado de Durban realizada em Genebra na Suíça no mês de abril deste ano, que debateu com diversos países os avanços e retrocessos obtidos desde seu lançamento em 2001, em Durban, África do Sul. A intenção foi aperfeiçoar e revisar o Plano de Ação contra o Racismo, Discriminação Racial, Xenofobia e Intolerância.

Tanto a sociedade civil quanto os sindicalistas presentes tiraram um documento apontando que o mercado de trabalho também é vítima do processo de discriminação. As convenções da OIT 111 e a campanha do trabalho decente são ferramentas importantes nessa luta. O saldo positivo foi o fato da CSI e a OIT terem conseguido juntar todos os representantes na discussão e de assinar um documento comum, além de estabelecer uma rede com troca de informações para ações em 2011, quando provavelmente acontece a próxima revisão.

Portal – Já existe uma linha política para a nova Secretaria?

Marcos – Na semana passada, realizados um encontro nacional em São Paulo que discutiu exatamente esta questão, na qual avançamos muito porque até então nós não tínhamos dado início ao debate de como ficaria a secretaria. Tiramos orientações gerais que eu tenho certeza que serão encaminhadas para os estados no sentido de ampliar, massificar e potencializar o tema.

A deliberação é de que todos os estados criem suas secretarias estaduais para dar sustentação política à secretaria nacional. É importante que nos estados os militantes anti – racismo façam todo movimento para que sejam eleitos delegados (as) nos CECUTs e participem do CONCUT para que possamos levar o debate político do tema nos fóruns adequados.

Portal – Que questões você considera fundamental?

Marcos – Acredito que a questão dos quilombolas, meio ambiente, trabalho escravo, juventude negra, mulheres negras são fundamentais nesse momento. Nosso desafio é elaborar políticas para estes segmentos, além de darmos continuidade às políticas sindicais já encaminhadas pela CNCDR/CUT. Além disso, pretendemos desenvolver uma política transversal que colabore com toda a pauta cutista.

Portal – Em sua opinião qual o maior preconceito a ser enfrentado?

Marcos – Sem dúvida, o maior preconceito está no mercado de trabalho, assim como, na religião de matriz africana já que vivemos em um país católico cristão onde, por exemplo, há um grande crescimento das igrejas evangélicas pentecostais. A pseudo Abolição da Escravatura, de 13 de maio de 1888, jogou os negros na rua sem escola, sem moradia, sem estudo, ou seja, sem estrutura nenhuma e até hoje estes sofrem as conseqüências que também se refletem no mercado do trabalho. Segundo pesquisas, a maioria da população atual do país é composta por afro-descentes, se percorrermos a noite paulistana veremos que esta população não está representada em vários segmentos da sociedade, mas se formos a algum evento na periferia serão a grande maioria, o que confirma a exclusão social.

Portal – Qual a solução para esse problema social?

Marcos – Acredito que a saída é continuar trabalhado para superar esta desigualdade e apostar na construção de política de estado e não de governo. Quero deixar registrado que o governo Lula tem contribuído muito. Ele incorporou muitas políticas e criou a Secretaria Especial de Políticas de Promoção de Igualdade Racial e instituiu a lei 10639/3, que obriga o ensino da cultura afro-brasileira nas escolas e está desenvolvendo todos os esforços através da SEPPIR pra a aprovação do Estatuto da Igualdade Racial. Precisamos de mudanças contundentes que contribua para que as pessoas desenvolvam novos conceitos culturais colaborando desta maneira, para a eliminação do preconceito na sociedade brasileira.

Portal – Qual foi o maior preconceito que você já sofreu?

Marcos – Sim e foi uma coisa que mudou a minha vida. Eu era adolescente e trabalhava no banco Itaú. Eu estava com 19 anos e cheguei atrasado ao trabalho devido ao trânsito. Meu chefe estava acomodado em uma mesa conversando com um amigo. Eu me debrucei na mesa e ele observou que a minha camisa estava com dois botões abertos e pediu para fechá-los. Eu prontamente abotoei e em seguida pedi desculpa pelo atraso. Ele respondeu: tudo bem, mas fecha a camisa. Neste momento, ele virou para o seu amigo e falou…

"Não é à toa que dizem por ai que preto é o bicho mais parecido com gente".

Conto isso não para inserir uma nova anedota no repertório daqueles que gostam de expressar o seu preconceito em forma de piadas de mau gosto, e que muitas vezes são carregadas de preconceito, mais para alertar que uma brincadeira "inocente" pode provocar um grande trauma numa criança ou adolescente. No meu caso, isso já faz 30 anos e eu jamais esqueci.

Hoje sou mais um brasileiro convencido que esta "doença" denominada racismo deve ser extirpada do seio da humanidade.

Fonte: Ana Paula Carrion, CUT

https://bancariospb.com.br/2009/05/12/marcos-benedito-contra-a-discriminao-racial/?fbclid=IwAR12KTENVPO2YhEaJjKFdf0i8Tu7EyTExPMp67K5tf5j0YAuNlkZeDUxwvg