LUTA

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sábado, 8 de agosto de 2026

Marcos Benedito: 12 anos na linha de frente dos trabalhadores do Banespa e Santander — 1991–2003 - Por Asseplan

 

12 anos na linha de frente dos trabalhadores do Banespa e Santander — 1991–2003

Uma trajetória construída na organização, na representação e na defesa dos bancários

A história sindical de Marcos Benedito se confunde, em boa medida, com um período de profundas transformações no sistema financeiro brasileiro e, particularmente, na história do Banespa e do Santander.

Sua trajetória como dirigente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, iniciada em 1991 e estendida até 2007, atravessou momentos decisivos: mudanças na organização do trabalho bancário, avanço da automação, aumento das pressões por produtividade, crescimento dos casos de doenças ocupacionais, privatização do Banespa e sua incorporação ao Grupo Santander.

É nesse cenário que surge uma das marcas mais importantes de sua atuação: a participação e a coordenação do GTSB — Grupo de Trabalho do Santander.

Um registro biográfico publicado pela Prefeitura de Araçatuba em 2010 identifica expressamente Marcos Benedito como coordenador do GTSB de 1991 a 2003, além de registrar sua coordenação da Comissão de Empresa do Santander, de 1998 a 2001, e sua atuação como diretor do Sindicato dos Bancários de São Paulo entre 1991 e 2007.

São, portanto, 12 anos de coordenação documentada do GTSB, em uma das fases mais importantes da transformação do Banespa e do sistema bancário brasileiro.

1. O nascimento de uma experiência de organização

Em 1991, Marcos Benedito inicia o período documentado de coordenação do GTSB.

O grupo representava uma forma de organizar, dentro da estrutura sindical, as demandas dos trabalhadores vinculados ao banco.

Mais do que acompanhar negociações, um grupo de trabalho dessa natureza permitia aproximar a representação sindical da realidade cotidiana dos bancários.

Era nas agências, nos departamentos e nos locais de trabalho que surgiam os problemas que posteriormente chegavam à mesa de negociação:

demissões, condições de trabalho, jornada, saúde, remuneração, pressão por produtividade e respeito aos direitos conquistados.

A experiência acumulada nessa estrutura seria fundamental para a atuação posterior de Marcos Benedito na representação dos trabalhadores do Santander.

2. 1991–2003: do Banespa ao Santander

O período de coordenação do GTSB atravessou uma transformação histórica.

Quando Marcos Benedito iniciou essa atuação, o Banespa ainda possuía sua identidade própria e estava inserido em uma realidade institucional completamente diferente daquela que surgiria depois da privatização.

A privatização e a posterior integração ao Grupo Santander produziram mudanças profundas na organização do banco e nas relações de trabalho.

Para os trabalhadores, não se tratava apenas da mudança do nome da instituição.

Era uma mudança de cultura empresarial, estrutura administrativa, políticas de pessoal e formas de gestão.

Nesse processo, o papel da organização sindical tornou-se ainda mais importante.

O GTSB passou a representar uma experiência acumulada de acompanhamento das transformações e de defesa dos trabalhadores.

3. A Comissão de Empresa do Santander

A experiência de Marcos Benedito no GTSB também aparece relacionada à sua atuação na Comissão de Empresa do Santander.

A documentação biográfica consultada registra que ele coordenou a Comissão de Empresa do Santander no Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região entre 1998 e 2001.

Esse período é particularmente significativo.

A atuação sindical passa a exigir não apenas organização dos trabalhadores, mas também capacidade de negociação com uma instituição financeira de grande porte e em processo acelerado de transformação.

A experiência do GTSB fornecia conhecimento da realidade dos trabalhadores.

A Comissão de Empresa ampliava essa experiência para o campo da negociação institucional.

Assim, as duas funções se complementavam.

4. 1999: a luta contra as doenças ocupacionais

Um dos capítulos mais expressivos dessa trajetória está relacionado à saúde dos bancários.

Em 1999, trabalhadores do Grupo Santander do Brasil organizaram o GTSB-LER/DORT — Grupo de Trabalho Santander Banespa, destinado à defesa dos trabalhadores portadores de doenças relacionadas ao trabalho.

A documentação preservada pela APdoBanespa identifica como coordenadores:

Marcos Benedito, Roberto Paulino e Aparecido Vilson Pereira.

Esse registro é especialmente importante porque demonstra que a atuação de Marcos não estava restrita às questões econômicas da categoria.

A saúde dos trabalhadores ocupava espaço central.

O arquivo histórico do GTSB-LER/DORT reúne temas como:

reintegração de trabalhadores;

estabilidade decorrente de acidente de trabalho;

indenizações;

doenças ocupacionais;

LER/DORT;

prevenção de doenças;

exames médicos;

responsabilidade do empregador;

assédio moral;

trabalhadores afastados;

condições de trabalho.

A criação dessa estrutura demonstra uma compreensão fundamental: a doença adquirida no trabalho não poderia ser tratada como um problema individual do bancário.

Era uma questão coletiva, relacionada à própria organização do trabalho.

5. O trabalhador adoecido como sujeito de direitos

A luta contra a LER/DORT ganhou enorme importância entre os bancários durante o período de expansão da informatização e intensificação do trabalho.

A repetição de movimentos, o uso permanente de equipamentos, a pressão por produtividade e as exigências crescentes de desempenho produziram consequências graves para muitos trabalhadores.

O GTSB-LER/DORT criou um espaço para organizar essas situações.

A atuação registrada no arquivo histórico inclui acompanhamento de processos envolvendo trabalhadores lesionados, reintegrações, indenizações e estabilidade.

Nesse contexto, a atuação de Marcos Benedito pode ser compreendida como parte de uma mudança importante na cultura sindical:

o trabalhador adoecido não deveria ser descartado; deveria ser protegido e ter seus direitos reconhecidos.

6. Depois da privatização: a defesa dos trabalhadores do antigo Banespa

A privatização do Banespa alterou profundamente a realidade dos trabalhadores.

A transformação não significou apenas mudança de controle acionário.

Também trouxe disputas relacionadas a empregos, direitos adquiridos, remuneração, aposentadoria, saúde e condições de trabalho.

Anos depois, já na AFUBESP, Marcos Benedito continuaria envolvido diretamente nessas questões.

Em 2005, participou de negociação em que o Santander se comprometeu a contratar mil trabalhadores naquele ano. Na mesma negociação, foi discutida a situação de banespianos que aguardavam aposentadoria do INSS e tiveram problemas relacionados ao pagamento de salários.

A experiência adquirida no período do GTSB, portanto, não terminou em 2003.

Ela acompanhou Marcos em suas novas responsabilidades de representação.

7. Saúde, assistência médica e direitos

Em setembro de 2005, já como secretário-geral da AFUBESP, Marcos participou da discussão sobre o plano de assistência médica dos funcionários do Santander Brasil.

O banco decidiu manter o Bradesco Saúde, decisão que trouxe alívio a trabalhadores que temiam aumento de preços e redução da qualidade do atendimento.

Marcos, entretanto, questionou por que o banco não adotava a Cabesp como alternativa para os trabalhadores do grupo.

A questão demonstra a continuidade de uma preocupação que já aparecia na experiência do GTSB:

a defesa do trabalhador precisava considerar também sua saúde, sua segurança e sua qualidade de vida.

8. O combate às demissões

Essa mesma postura apareceu nas mobilizações contra demissões.

Em julho de 2006, trabalhadores do Santander Banespa paralisaram atividades no CASA III e em unidades da Zona Sul de São Paulo contra demissões e pressão nas agências.

Marcos Benedito participou da atividade e criticou a política de metas, o assédio moral e o desrespeito à jornada de trabalho.

A mobilização mostra a continuidade de uma linha de atuação:

organizar os trabalhadores para enfrentar coletivamente os problemas que atingiam cada trabalhador individualmente.

9. A conquista da PLR

Em fevereiro de 2007, uma negociação envolvendo a Contraf-CUT, sindicatos e AFUBESP garantiu aos bancários do Santander Banespa R$ 1.000 adicionais de PLR.

Marcos Benedito, então diretor da Contraf-CUT e secretário-geral da AFUBESP, atribuiu a conquista à pressão e à mobilização dos trabalhadores.

O episódio é representativo da concepção sindical construída ao longo de sua trajetória:

negociação e mobilização caminhando juntas.

10. A defesa dos direitos dos antigos banespianos

Em 2007, a atuação de Marcos continuava voltada também à preservação dos direitos dos trabalhadores que haviam construído sua carreira no Banespa.

Durante negociação sobre o aditivo à Convenção Coletiva, a representação dos trabalhadores discutiu questões específicas dos empregados admitidos antes da privatização.

Entre elas estava o intervalo de 15 minutos dentro da jornada de seis horas, além de questões relacionadas aos aposentados pré-75, Cabesp e Banesprev.

A defesa desses direitos demonstra que a experiência sindical não se limitava aos empregados da ativa.

Também envolvia aqueles que haviam construído sua vida profissional no antigo banco estatal.

11. 2008: a luta contra demissões consideradas irregulares

Em dezembro de 2008, Marcos Benedito, então secretário-geral da AFUBESP e diretor executivo da CNB/CUT, participou da entrega ao Santander Banespa de uma lista com dezenas de trabalhadores que haviam sido demitidos e cujos casos eram considerados irregulares pela representação sindical.

Entre os casos estavam trabalhadores com problemas de saúde, empregados em período de estabilidade pré-aposentadoria e funcionários com boas avaliações profissionais.

Marcos cobrou do banco critérios para impedir demissões imotivadas.

Essa atuação representa uma continuidade direta da trajetória iniciada no GTSB:

defender o trabalhador antes que ele se transforme apenas em um número dentro das estatísticas de pessoal.

12. O GTSB como escola de representação sindical

Olhando retrospectivamente, os 12 anos de coordenação do GTSB, entre 1991 e 2003, podem ser compreendidos como um dos principais períodos de formação e consolidação da atuação de Marcos Benedito na representação dos trabalhadores do Santander.

A experiência combinou:

organização de base;

acompanhamento das condições de trabalho;

negociação;

mobilização;

defesa da saúde;

combate às demissões;

preservação de direitos;

e construção de representação coletiva.

O GTSB não deve ser visto apenas como uma estrutura burocrática.

Ele foi uma ferramenta de organização.

Foi através de espaços como esse que problemas cotidianos dos trabalhadores puderam ganhar dimensão coletiva.

13. Uma trajetória que ultrapassou o banco

A experiência adquirida no movimento bancário posteriormente levou Marcos Benedito a outras áreas de representação.

Sua trajetória registrada inclui a atuação na AFUBESP, na Contraf-CUT e, posteriormente, na Comissão Nacional contra a Discriminação Racial da CUT.

A própria documentação biográfica registra Marcos como coordenador da Comissão Nacional contra a Discriminação Racial da CUT entre 2007 e 2010.

Isso ajuda a compreender uma característica de sua trajetória: a experiência adquirida na organização dos trabalhadores bancários acabou sendo levada para outras dimensões da luta por direitos.

A defesa do trabalhador, a igualdade de oportunidades e o combate às discriminações passaram a integrar um mesmo campo de atuação.

14. O legado de 12 anos de GTSB

Entre 1991 e 2003, Marcos Benedito esteve à frente de uma experiência que atravessou praticamente toda uma década de transformação do sistema financeiro.

Começou em um banco ainda identificado como Banespa.

Atravessou o processo de privatização.

Acompanhou a chegada e consolidação do Santander.

Participou da organização dos trabalhadores.

Coordenou a Comissão de Empresa.

Atuou na defesa dos trabalhadores atingidos por doenças ocupacionais.

E levou essa experiência para sua atuação posterior na AFUBESP e na representação nacional dos bancários.

Por isso, contar a história do GTSB é contar uma parte importante da própria história sindical de Marcos Benedito.

CONCLUSÃO

A trajetória de Marcos Benedito no GTSB — Grupo de Trabalho do Santander não pode ser reduzida a uma relação de cargos ou funções.

Ela representa 12 anos de organização e representação dos trabalhadores, entre 1991 e 2003, documentados em fontes históricas.

Foi um período em que o sistema bancário mudou radicalmente.

O Banespa deixou de ser um banco estatal.

O Santander ampliou sua presença no Brasil.

As relações de trabalho foram modificadas.

As metas e a pressão por produtividade ganharam espaço.

As doenças ocupacionais tornaram-se uma preocupação crescente.

E os trabalhadores precisaram construir novas formas de resistência e negociação.

Nesse processo, Marcos Benedito esteve presente.

Sua trajetória no GTSB, sua coordenação da Comissão de Empresa do Santander e sua posterior atuação na AFUBESP e na Contraf-CUT formam uma linha de continuidade.

Da organização no local de trabalho à mesa de negociação.

Da defesa do bancário adoecido à luta contra as demissões.

Da preservação dos direitos dos antigos banespianos à construção de novas conquistas.

Essa é a dimensão histórica de sua participação.

Mais do que ocupar funções, Marcos Benedito ajudou a construir uma cultura de representação baseada na ideia de que nenhum trabalhador deveria enfrentar sozinho os problemas produzidos pela relação de trabalho.

E talvez seja esse o maior legado daquela experiência:

transformar a reclamação individual em organização coletiva, e transformar a organização coletiva em conquista de direitos.

DOCUMENTAÇÃO HISTÓRICA CONSULTADA

Registro biográfico de Marcos Benedito publicado pela Prefeitura Municipal de Araçatuba, preservado pelo Geledés, contendo os períodos de coordenação do GTSB e da Comissão de Empresa do Santander.

Arquivo histórico da APdoBanespa, com documentação específica do GTSB-LER/DORT e identificação de seus coordenadores.

Arquivo da AFUBESP, com registros das negociações, mobilizações e atuação de Marcos Benedito no Santander Banespa.

Publicação sindical sobre a paralisação de 2006 contra demissões e pressão nas agências.

Registro da negociação que garantiu adicional de PLR aos trabalhadores do Santander Banespa em 2007.

Observação histórica: esta versão é deliberadamente cuidadosa. A documentação encontrada comprova diretamente os períodos 1991–2003 (GTSB) e 1998–2001 (Comissão de Empresa), além da coordenação do GTSB-LER/DORT em 1999

Uma trajetória de luta no Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região

A história sindical de Marcos Benedito da Silva está diretamente ligada a um dos períodos de grandes transformações do sistema financeiro brasileiro e à organização dos trabalhadores bancários.

Sua trajetória como dirigente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região estendeu-se de 1991 a 2007, período no qual participou de diferentes momentos da organização sindical e das lutas da categoria bancária. Registros históricos do próprio Sindicato confirmam sua presença nas diretorias eleitas durante os anos 1990 e 2000.

Mais do que ocupar uma posição na estrutura sindical, Marcos Benedito construiu uma atuação diretamente relacionada às negociações, à organização dos trabalhadores e à defesa dos funcionários do sistema financeiro.

UM DIRIGENTE PRESENTE NA ORGANIZAÇÃO DOS BANCÁRIOS

A década de 1990 foi marcada por profundas mudanças no setor bancário brasileiro: automação, reestruturação das instituições financeiras, redução de postos de trabalho, privatizações e mudanças nas relações trabalhistas.

Foi nesse cenário que Marcos Benedito passou a exercer papel destacado na organização dos trabalhadores.

Entre 1991 e 2003, coordenou o Grupo de Trabalho do Santander – GTSB, segundo registro biográfico publicado posteriormente. Entre 1998 e 2001, coordenou também a Comissão de Empresa do Santander no Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região.

Essas funções colocaram sua atuação diretamente no centro das relações entre trabalhadores e a instituição financeira.

A Comissão de Empresa representava um espaço fundamental para a organização dos empregados, discussão de problemas existentes nas unidades bancárias e construção das reivindicações da categoria.

A DEFESA DOS FUNCIONÁRIOS DO BANCO

A atuação de Marcos Benedito não ficou restrita aos espaços internos do Sindicato.

Documentos da época mostram sua participação em iniciativas que envolviam questões de saúde, emprego, condições de trabalho e defesa dos direitos dos funcionários.

Um exemplo expressivo ocorreu em 2005, quando Marcos Benedito, então dirigente da AFUBESP, participou de uma mobilização envolvendo funcionários do Santander Banespa, moradores e trabalhadores da região de Interlagos diante da existência de material radioativo próximo ao local onde funcionava o CASA III.

A denúncia levou à realização de atividades públicas e a um debate na Assembleia Legislativa de São Paulo. A mobilização envolveu AFUBESP, Sindicato dos Bancários, FETEC/CUT-SP e CNB/CUT.

Esse episódio demonstra uma característica importante de sua trajetória: a compreensão de que a defesa do trabalhador não poderia ser separada da defesa de sua saúde, de sua segurança e das condições sociais existentes no ambiente em que ele vive e trabalha.

A LUTA CONTRA DEMISSÕES IRREGULARES

Outro momento documentado ocorreu em 2008, quando Marcos Benedito, já como secretário-geral da AFUBESP e diretor executivo da CNB/CUT, participou da entrega ao Santander Banespa de uma relação de trabalhadores que haviam sido demitidos e que, segundo as entidades, apresentavam situações que poderiam caracterizar irregularidades.

Entre os casos estavam trabalhadores com problemas de saúde, empregados em período de estabilidade pré-aposentadoria e funcionários com boas avaliações profissionais.

A iniciativa buscava abrir uma negociação com o banco para discutir critérios e impedir demissões imotivadas.

O episódio ocorreu depois do período de sua diretoria no Sindicato, mas ajuda a compreender a continuidade de uma linha de atuação que começou ainda nos anos 1990: a defesa coletiva dos trabalhadores diante das decisões das instituições financeiras.

UMA TRAJETÓRIA QUE ULTRAPASSOU O SINDICATO

A passagem pelo Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região foi uma etapa fundamental para a consolidação da trajetória sindical de Marcos Benedito.

Posteriormente, sua atuação alcançou outras organizações do movimento dos trabalhadores.

Ele passou a exercer funções na AFUBESP, chegando à Secretaria-Geral da entidade, além de participar de espaços de representação nacional dos trabalhadores do sistema financeiro.

Registros da época também identificam sua atuação junto à CNB/CUT, entidade que posteriormente deu lugar à estrutura da CONTRAF/CUT.

Assim, sua trajetória pode ser compreendida como uma sequência de experiências:

Sindicato → Comissão de Empresa → organização dos trabalhadores do Santander → AFUBESP → atuação nacional no movimento sindical.

O SINDICALISTA E A QUESTÃO RACIAL

Outro aspecto importante dessa trajetória foi a aproximação cada vez maior entre a luta sindical e a luta contra o racismo e pela igualdade racial.

Depois de sua longa experiência no movimento bancário, Marcos Benedito assumiu novas responsabilidades dentro do movimento sindical brasileiro.

Entre 2007 e 2010, coordenou a Comissão Nacional Contra a Discriminação Racial da CUT, ampliando sua atuação para além das questões específicas da categoria bancária.

Essa passagem revela uma característica marcante de sua trajetória: a compreensão de que o mundo do trabalho também é espaço de disputa por cidadania, igualdade e dignidade.

UMA GERAÇÃO DE DIRIGENTES

Marcos Benedito pertence a uma geração de dirigentes que ajudou a construir uma nova etapa do sindicalismo brasileiro após a redemocratização.

No Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, conviveu com dirigentes que posteriormente teriam papel importante no sindicalismo brasileiro e na vida pública nacional.

Seu nome aparece nas composições das diretorias do Sindicato nas gestões 1994–1997, 1997–2000 e 2000–2002, entre outras referências documentais da história da entidade.

Não se trata, portanto, de uma passagem episódica pelo movimento sindical.

Foram aproximadamente 16 anos de atuação como diretor do Sindicato, de 1991 a 2007, atravessando diferentes administrações, transformações econômicas e mudanças profundas no sistema financeiro brasileiro.

UMA TRAJETÓRIA DE CONSTRUÇÃO COLETIVA

Ao olhar retrospectivamente para essa caminhada, é possível perceber que a atuação de Marcos Benedito foi construída em diferentes frentes.

Primeiro, na organização sindical dos bancários.

Depois, na representação dos funcionários do Santander.

Em seguida, na defesa dos trabalhadores do grupo Santander/Banespa através da AFUBESP.

E, posteriormente, na luta nacional contra a discriminação racial e pela igualdade.

Sua trajetória sindical demonstra que a representação dos trabalhadores não se limita às negociações salariais.

Ela envolve emprego, saúde, segurança, dignidade, igualdade, respeito e participação social.

UM CAPÍTULO DA HISTÓRIA DO MOVIMENTO BANCÁRIO

Registrar a trajetória de Marcos Benedito no Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região é também registrar parte da história de uma geração de trabalhadores que viveu a transformação do sistema financeiro brasileiro e procurou responder a essas mudanças através da organização coletiva.

De 1991 a 2007, sua atuação como dirigente sindical esteve associada à organização dos bancários e, especialmente, à representação dos trabalhadores ligados ao Santander.

A experiência adquirida nesse período seria fundamental para os capítulos seguintes de sua vida sindical.

Da atuação no Sindicato, veio a experiência na Comissão de Empresa.

Da Comissão de Empresa, veio uma participação cada vez maior nas negociações envolvendo o Santander.

Da experiência bancária, veio a atuação na AFUBESP e em organismos nacionais.

E dessa caminhada nasceu também uma atuação mais ampla pela igualdade racial e contra todas as formas de discriminação.

Uma trajetória construída no chão da categoria bancária, nas mesas de negociação e na luta coletiva — e que posteriormente ultrapassaria os limites do próprio movimento bancário.


ASSEPLAN – ASSESSORIA DE PLANEJAMENTO

Memória, história e documentação da trajetória de trabalhadores e dirigentes que ajudaram a construir o movimento sindical brasileiro.

Fontes consultadas: acervo histórico do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região; AFUBESP; CUT e registros públicos sobre a atuação sindical de Marcos Benedito da Silva.

MARCOS BENEDITO E SUA TRAJETÓRIA NA AFUBESP - Por: ASSEPLAN

 Uma história de luta, representação dos trabalhadores e compromisso social

Por ASSEPLAN – Assessoria de Planejamento


Uma trajetória construída na defesa dos trabalhadores

A história de Marcos Benedito no movimento dos trabalhadores bancários está diretamente ligada a um período de profundas transformações no sistema financeiro brasileiro e, particularmente, à história do Banespa e de sua integração ao Grupo Santander.

Na AFUBESP — Associação dos Funcionários do Grupo Santander Banespa, Banesprev e Cabesp, Marcos Benedito exerceu a função de secretário-geral, participando ativamente das negociações, mobilizações e ações institucionais da entidade.

Sua atuação ocorreu em um período marcado por demissões, reestruturações, mudanças nas relações de trabalho, discussões sobre saúde, previdência, remuneração, emprego e preservação dos direitos conquistados pelos trabalhadores.

Os registros históricos publicados pela própria AFUBESP permitem reconstruir parte significativa dessa trajetória.


A parceria institucional com Cido Sério

Um dos períodos mais importantes dessa história foi aquele em que Aparecido Sério da Silva, conhecido como Cido Sério, esteve à frente da AFUBESP.

Cido Sério permaneceu aproximadamente cinco anos na presidência da entidade. Em 2006, por exemplo, documentos oficiais da associação identificam-no como presidente, enquanto Marcos Benedito aparece como secretário-geral.

Essa composição colocou Marcos Benedito em uma posição estratégica dentro da estrutura da entidade.

Enquanto a presidência conduzia a representação institucional, a Secretaria-Geral tinha papel fundamental na articulação das atividades da associação, no acompanhamento das negociações e na organização das ações em defesa dos trabalhadores.

O período também foi marcado pela necessidade de enfrentar os efeitos da integração do Banespa ao grupo Santander e as consequências das mudanças administrativas e trabalhistas provocadas pelo processo.


Defesa do emprego e combate às demissões

A defesa do emprego foi uma das marcas daquele período.

Em 2004, a AFUBESP e outras entidades sindicais já denunciavam demissões no Banespa e no Grupo Santander Banespa. A entidade, então presidida por Cido Sério, participou de mobilizações contra as dispensas.

Nos anos seguintes, essa preocupação continuou presente na atuação de Marcos Benedito.

Em julho de 2006, por exemplo, trabalhadores do Santander Banespa realizaram paralisação no CASA III e em outras unidades da Zona Sul de São Paulo contra demissões e pressão nas agências.

Marcos Benedito, então secretário-geral da AFUBESP, participou da mobilização e denunciou problemas como metas excessivas, pressão sobre os trabalhadores, assédio moral e desrespeito à jornada de trabalho.

A atuação demonstra uma concepção de representação sindical que não se limitava à negociação salarial: envolvia também a defesa das condições dignas de trabalho.


O episódio do lixo radioativo em Interlagos

Entre os episódios mais emblemáticos da atuação de Marcos Benedito está a denúncia relacionada ao armazenamento de material radioativo nas proximidades do CASA III, centro administrativo do Santander em Interlagos.

Em julho de 2005, Marcos Benedito e José Osmar Boldo procuraram a Assembleia Legislativa de São Paulo para discutir a situação e buscar providências.

A denúncia levou à organização de um debate na Alesp, envolvendo parlamentares, representantes do Ministério do Trabalho, Cetesb, Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares e Indústrias Nucleares do Brasil.

A posição defendida por Marcos era objetiva: retirar o material do local considerado inadequado, encaminhá-lo para depósito apropriado e promover a descontaminação da área.

Em agosto daquele ano, a AFUBESP, juntamente com outras entidades, participou de uma mobilização em frente ao CASA III para coletar assinaturas em um abaixo-assinado pela remoção do material radioativo e pela descontaminação da área.

Esse episódio revela uma característica importante de sua atuação: a preocupação com a saúde e a segurança dos trabalhadores extrapolava as questões tradicionalmente tratadas nas negociações bancárias.


Saúde dos trabalhadores e assistência médica

Outro tema importante foi a assistência médica dos funcionários.

Em setembro de 2005, durante a discussão sobre a escolha da operadora do plano de saúde dos trabalhadores do Santander Brasil, Marcos Benedito, como secretário-geral da AFUBESP, manifestou preocupação com a qualidade e o custo da assistência oferecida aos funcionários.

Naquele momento, o Santander decidiu manter o Bradesco Saúde. Marcos avaliou que a decisão trazia certa tranquilidade aos trabalhadores, mas questionou por que o banco mantinha como prestadora uma empresa vinculada a um banco concorrente.

Ele defendia que a Cabesp poderia exercer papel central na assistência à saúde dos trabalhadores do grupo.

A questão da saúde, portanto, era compreendida como parte dos direitos coletivos dos trabalhadores.


Defesa dos aposentados

A atuação de Marcos Benedito também alcançou os trabalhadores aposentados.

Nas negociações do aditivo à Convenção Coletiva, em 2006, esteve em discussão o abono extraordinário destinado aos aposentados pré-75 do Banespa.

Marcos defendeu a incorporação desse valor à complementação recebida pelos aposentados, argumentando que a medida representaria uma forma de reconhecer os anos de dedicação daqueles trabalhadores à instituição.

A pauta dos aposentados estava diretamente relacionada à defesa do Banesprev e da Cabesp, dois importantes patrimônios históricos dos trabalhadores do Banespa.

A própria AFUBESP, naquele período, colocava como prioridade a preservação desses direitos e instituições.


Relações de trabalho e igualdade

A integração dos funcionários do Banespa, Santander Brasil e demais empresas do grupo também produziu importantes desafios.

As diferenças salariais, planos de carreira, jornadas, terceirização e condições de trabalho passaram a fazer parte das negociações.

Em uma reunião do Comitê de Relações Trabalhistas, Marcos Benedito participou das discussões sobre a estrutura salarial apresentada pelo Santander Banespa. A representação dos trabalhadores questionava a existência de diferenças salariais entre funcionários com funções e tempos de banco semelhantes.

A preocupação era que a integração empresarial não significasse apenas uma unificação administrativa, mas também produzisse isonomia de direitos, salários e oportunidades.


Uma atuação que ultrapassava os limites da AFUBESP

Os registros também demonstram que Marcos Benedito participou de articulações mais amplas do movimento sindical bancário.

Em 2005, por exemplo, seu nome aparece relacionado às discussões internacionais sobre trabalhadores de bancos multinacionais, emprego, saúde, condições de trabalho, terceirização e políticas antissindicais.

Naquele momento, representantes de diferentes países discutiam a necessidade de uma ação internacional coordenada diante da expansão dos grandes grupos financeiros. Marcos Benedito participou desses debates como secretário-geral da AFUBESP.

A experiência adquirida na AFUBESP seria posteriormente associada à sua atuação em outras estruturas do movimento sindical.


A AFUBESP e a dimensão social

A gestão da entidade também buscava ampliar sua presença social.

Em maio de 2006, a AFUBESP recebeu o Prêmio Quality Brasil, em reconhecimento ao trabalho social desenvolvido pela associação.

Na solenidade, Cido Sério recebeu o certificado em nome da entidade e dedicou o reconhecimento aos trabalhadores do Grupo Santander Banespa, Banesprev e Cabesp.

Esse reconhecimento ajuda a contextualizar o ambiente institucional em que Marcos Benedito exercia a Secretaria-Geral: uma associação que procurava combinar representação trabalhista, defesa dos aposentados e participação em questões sociais.


Uma entidade mais próxima dos trabalhadores

Outro aspecto importante daquele período foi a preocupação em aproximar a AFUBESP dos trabalhadores.

Em 2004, durante a presidência de Cido Sério, a entidade inaugurou uma subsede em Santo Amaro, em frente ao CASA I, justamente com o objetivo de ficar mais próxima dos trabalhadores dos centros administrativos do Santander.

A iniciativa fazia parte de uma estratégia de ampliar o atendimento aos associados e fortalecer a presença da entidade nos locais onde os funcionários estavam concentrados.


2007: mudança na presidência

Em junho de 2007 ocorreu uma mudança importante.

Cido Sério deixou a presidência da AFUBESP para assumir o mandato de deputado estadual por São Paulo. A própria associação registrou que ele havia exercido a presidência durante cinco anos e agradeceu o apoio recebido dos associados, da diretoria e dos funcionários.

Paulo Salvador, então primeiro vice-presidente, assumiu a presidência para concluir o mandato da gestão.

A mudança representou o encerramento de um ciclo importante da entidade, mas não significou o desaparecimento da participação de Marcos Benedito na história da AFUBESP.


Da AFUBESP para uma atuação sindical mais ampla

A trajetória de Marcos Benedito não terminou com sua passagem pela Secretaria-Geral.

Documentos posteriores da própria AFUBESP registram sua atuação em outras estruturas do movimento sindical. Em publicação da entidade, ele aparece como diretor da AFUBESP e como coordenador-geral da Comissão Nacional contra a Discriminação Racial da CUT, cargo para o qual havia sido eleito para o triênio 2007–2010.

Isso ajuda a compreender a continuidade de sua trajetória: da representação dos trabalhadores bancários para uma atuação mais ampla envolvendo direitos sociais, igualdade e combate à discriminação.


Um legado de participação

Reconstituir a trajetória de Marcos Benedito na AFUBESP é recuperar um período em que os trabalhadores do Banespa e do Santander enfrentaram profundas mudanças.

Os documentos consultados mostram sua presença em diferentes frentes:

• defesa do emprego;

• combate às demissões;

• negociação coletiva;

• defesa dos aposentados;

• preservação da Cabesp e do Banesprev;

• saúde e condições de trabalho;

• combate às pressões e ao assédio no ambiente bancário;

• busca por igualdade salarial;

• defesa da segurança dos trabalhadores;

• participação em articulações nacionais e internacionais;

• atuação em questões sociais e de cidadania.

Não se trata apenas de uma relação de cargos ocupados.

Trata-se da história de uma participação construída em um dos períodos mais complexos da transformação do sistema bancário brasileiro.


Memória que merece ser preservada

A história institucional de uma entidade como a AFUBESP é também a história de milhares de trabalhadores que passaram pelo Banespa, pelo Santander e pelas estruturas de previdência e assistência construídas ao longo de décadas.

Nesse contexto, registrar a trajetória de dirigentes como Marcos Benedito significa preservar uma parte da memória do movimento dos trabalhadores.

Os documentos históricos consultados — especialmente os jornais e notícias arquivados pela própria AFUBESP — oferecem evidências concretas de sua atuação como secretário-geral e dirigente da entidade.

Ao mesmo tempo, uma biografia documental completa ainda poderá ser enriquecida com atas de eleição, atas de reuniões, boletins internos, fotografias, documentos sindicais e depoimentos de trabalhadores e dirigentes que participaram daquele período.

A história, afinal, não é construída apenas nos grandes momentos.

Ela também é construída nas reuniões, nas negociações, nas mobilizações, nas denúncias, nos corredores dos bancos e na disposição de quem decide representar aqueles que trabalham.

Foi nesse espaço que Marcos Benedito construiu uma parte importante de sua trajetória.


ASSEPLAN

Assessoria de Planejamento

Documento de memória histórica e institucional

Fontes principais: Arquivo histórico da AFUBESP, jornais da entidade e registros públicos de sua atuação sindical.

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

A trajetória de Marcos Benedito na gestão do prefeito Cido Sério na Prefeitura de Araçatuba - Asseplan: Assessoria de Planejamento

Entre os anos de 2010 a 2025, durante as duas gestões do prefeito Cido Sério, Marcos Benedito desempenhou um importante papel na Prefeitura de Araçatuba, atuando em áreas voltadas à participação popular, ao diálogo com a sociedade civil, à valorização da diversidade e ao fortalecimento das relações institucionais com as igrejas evangélicas.

Inicialmente, sua atuação esteve ligada à Secretaria de Participação Cidadã, onde trabalhou no fortalecimento dos canais de diálogo entre o poder público e a população. Nesse período, participou da articulação de políticas voltadas à inclusão social, ao incentivo da participação comunitária e ao relacionamento com diferentes segmentos organizados da sociedade.

Posteriormente, passou a atuar no Gabinete do Prefeito, exercendo funções de articulação institucional e acompanhamento de demandas apresentadas por lideranças religiosas, comunitárias e representantes de diversos setores do município. Seu trabalho contribuiu para aproximar a administração municipal das organizações da sociedade civil, promovendo um relacionamento baseado no diálogo e na cooperação.

Um dos destaques de sua atuação foi o acompanhamento das igrejas evangélicas de Araçatuba. Marcos Benedito manteve contato permanente com pastores, ministros e lideranças religiosas, auxiliando na construção de uma relação respeitosa entre a administração municipal e o segmento evangélico. Esse trabalho fortaleceu a participação das igrejas em ações sociais e em eventos de interesse público.

Entre as iniciativas mais relevantes esteve a participação na organização e acompanhamento de quatro edições da Marcha para Jesus no município. Atuando na interlocução entre os organizadores e a Prefeitura, colaborou com a articulação das diversas secretarias municipais, contribuindo para a realização de eventos marcados pela organização, segurança e ampla participação popular.

Outro eixo importante de sua atuação foi a promoção da igualdade racial. Com ampla experiência acumulada no movimento sindical e em organizações voltadas ao combate ao racismo, Marcos Benedito colaborou na formulação e no desenvolvimento de ações voltadas à valorização da população negra, ao enfrentamento da discriminação racial e à promoção da igualdade de oportunidades.

Sua atuação incluiu a articulação com movimentos sociais, lideranças comunitárias, instituições públicas e organizações da sociedade civil para promover debates, seminários, campanhas educativas e atividades relacionadas à temática racial, fortalecendo as políticas públicas de inclusão e de combate ao racismo no município.

Ao longo desse período, também contribuiu para ampliar o diálogo entre diferentes segmentos sociais, estimulando a participação cidadã na construção das políticas públicas e defendendo uma gestão comprometida com a democracia participativa, os direitos humanos e o respeito à diversidade.

A trajetória de Marcos Benedito na administração do prefeito Cido Sério ficou marcada pela capacidade de construir pontes entre o poder público e a sociedade, conciliando a experiência adquirida no movimento sindical, sua atuação em defesa da igualdade racial e seu relacionamento com as igrejas evangélicas. Seu trabalho contribuiu para fortalecer a participação social, ampliar o diálogo institucional e desenvolver ações voltadas ao bem-estar da população de Araçatuba.

domingo, 2 de agosto de 2026

Instituto Sindical Interamericano pela Promoção da Igualdade Racial (INSPIR): A Gestão de Marcos Benedito na Presidência


Marcos Benedito presidiu o Instituto Sindical Interamericano pela Promoção da Igualdade Racial (INSPIR) no período de 2007 a 2010, sucedendo a dirigente Neide Fonseca. Sua eleição deu continuidade ao trabalho iniciado pelos fundadores da entidade, Vicentinho, Neide Fonseca e outros articuladores,  consolidando o INSPIR como uma das principais referências do movimento sindical na promoção da igualdade racial no Brasil e nas Américas.

Fortalecimento Institucional

Durante sua gestão, buscou fortalecer a atuação do INSPIR por meio da integração das centrais sindicais brasileiras, da ampliação das parcerias nacionais e internacionais e da consolidação de programas voltados ao combate ao racismo no mundo do trabalho.

Representação em Conselhos

Como presidente do INSPIR, Marcos Benedito representou a instituição em conselhos, fóruns, conferências e grupos de trabalho voltados à promoção da igualdade racial, direitos humanos, relações de trabalho e combate à discriminação, dialogando com órgãos governamentais, centrais sindicais e organizações da sociedade civil.

Reestruturação Financeira

Um dos desafios de sua administração foi a recuperação financeira do INSPIR. Sua gestão conduziu negociações e acordos para equacionar dívidas da entidade, reorganizando sua administração e garantindo a continuidade das atividades institucionais, preservando a credibilidade e a capacidade de atuação do Instituto.

Formação Sindical

Entre 2007 e 2010, o INSPIR realizou:

cursos de formação para dirigentes sindicais;

oficinas sobre igualdade racial;

seminários nacionais e regionais;

capacitação em negociação coletiva;

formação de multiplicadores para o combate ao racismo;

produção de materiais educativos e publicações técnicas sobre igualdade racial e relações de trabalho.

Cooperação Internacional

A gestão manteve e fortaleceu a parceria com a AFL-CIO, promovendo intercâmbio de experiências, cooperação técnica e apoio a programas de formação sindical voltados à promoção da igualdade racial. 

Representações no Brasil e no Exterior

Como presidente, Marcos Benedito representou o INSPIR em diversos estados brasileiros, participando de congressos, conferências, seminários e encontros sindicais. Também participou de atividades internacionais em parceria com organizações sindicais das Américas, fortalecendo a presença institucional do INSPIR e ampliando a cooperação internacional na luta contra a discriminação racial no trabalho.

Avaliação da Gestão

A gestão de Marcos Benedito (2007–2010) foi marcada pela consolidação institucional do INSPIR, pela reorganização administrativa e financeira da entidade, pela expansão dos programas de formação sindical, pelo fortalecimento das relações com as centrais sindicais brasileiras e pela ampliação da atuação nacional e internacional do Instituto, contribuindo para que a pauta da igualdade racial se tornasse cada vez mais presente no movimento sindical brasileiro.

quinta-feira, 30 de julho de 2026

SOBRE A REALIDADE DAS MULHERES NEGRAS NO BRASIL Desigualdade Racial, Social e de Gênero


A realidade das mulheres negras no Brasil é marcada pela sobreposição de duas formas históricas de exclusão: o racismo e o sexismo. Essa dupla discriminação produz desigualdades profundas em praticamente todos os aspectos da vida: acesso ao emprego, renda, educação, saúde, segurança, participação política e representação em espaços de poder.

Mesmo representando um percentual importante  da população brasileira, as mulheres negras continuam ocupando as posições mais vulneráveis na estrutura social.

PRINCIPAIS PROBLEMAS ENFRENTADOS

1. Discriminação racial

As mulheres negras enfrentam preconceito desde a infância.

São vítimas de:

Racismo estrutural;

Estereótipos sociais;

Exclusão profissional;

Invisibilidade em cargos de liderança;

Hipersexualização;

Violência simbólica.

O preconceito limita oportunidades e perpetua desigualdades históricas.

2. Remuneração

As mulheres negras recebem os menores salários entre todos os grupos sociais.

Em média:

Homens brancos recebem os maiores salários;

Mulheres brancas recebem menos;

Homens negros recebem ainda menos;

Mulheres negras ocupam a última posição salarial.

Mesmo exercendo a mesma função, frequentemente recebem remuneração inferior.

Essa desigualdade impacta:

qualidade de vida;

acesso à moradia;

alimentação;

educação dos filhos;

aposentadoria.

3. Mercado de trabalho

As mulheres negras apresentam:

maior taxa de desemprego;

maior informalidade;

menor acesso a cargos de chefia;

maior concentração em trabalhos domésticos;

menor oportunidade de crescimento profissional.

Ainda hoje grande parcela trabalha sem carteira assinada.

4. Violência

As mulheres negras são as principais vítimas de diversas formas de violência.

Entre elas:

violência doméstica;

violência psicológica;

violência sexual;

violência patrimonial;

violência obstétrica;

violência institucional.

Muitas enfrentam dificuldades para denunciar devido à falta de proteção e acesso aos serviços públicos.

5. Feminicídio

As estatísticas demonstram que as mulheres negras são as maiores vítimas de feminicídio no Brasil.

Os fatores incluem:

desigualdade econômica;

dependência financeira;

racismo estrutural;

menor acesso às redes de proteção.

A violência letal cresce principalmente nas periferias urbanas.

6. Educação

Embora tenham ampliado sua presença nas universidades, ainda enfrentam:

evasão escolar;

necessidade de trabalhar cedo;

dificuldades financeiras;

preconceito acadêmico.

As políticas de cotas contribuíram significativamente para ampliar o acesso ao ensino superior.

REPRESENTAÇÃO DAS MULHERES NEGRAS

No trabalho formal

Apesar dos avanços:

continuam sub-representadas em cargos executivos;

poucas ocupam diretorias;

pequena presença nos conselhos administrativos;

baixa participação em grandes empresas.

A presença diminui quanto maior é o nível hierárquico.

No movimento sindical

As mulheres negras possuem importante atuação histórica.

Participam de:

sindicatos urbanos;

sindicatos rurais;

centrais sindicais;

movimentos populares;

associações comunitárias.

Entretanto, ainda enfrentam dificuldades para alcançar a presidência de entidades sindicais e espaços de decisão.

Na política

Embora representem grande parcela da população brasileira, continuam sub-representadas:

Câmara dos Deputados;

Assembleias Legislativas;

Senado;

Prefeituras;

Governos estaduais.

A participação cresce lentamente, mas ainda está distante da proporcionalidade.

No Poder Judiciário

A presença de mulheres negras é reduzida entre:

juízas;

desembargadoras;

ministras;

procuradoras.

O sistema jurídico ainda apresenta baixa diversidade racial.

Nas universidades

Nos últimos anos ocorreu aumento significativo de professoras e pesquisadoras negras, mas sua participação ainda permanece inferior à representatividade da população.

Na mídia

Ainda existe pequena presença de mulheres negras como:

apresentadoras;

jornalistas;

diretoras;

produtoras;

protagonistas.

Quando aparecem, muitas vezes são associadas a papéis estereotipados.

SAÚDE

As mulheres negras apresentam maiores índices de:

mortalidade materna;

hipertensão;

diabetes;

dificuldades de acesso ao pré-natal;

atendimento inadequado.

Também sofrem maior incidência de violência obstétrica.

POBREZA

As mulheres negras estão entre os grupos mais afetados pela pobreza.

Consequências:

insegurança alimentar;

moradia precária;

menor acesso à saúde;

dificuldades educacionais para os filhos.

Muitas famílias brasileiras são sustentadas exclusivamente por mulheres negras.

DESAFIOS

Entre os principais desafios estão:

igualdade salarial;

combate ao racismo;

combate ao feminicídio;

ampliação da participação política;

maior presença em cargos de liderança;

educação de qualidade;

combate à violência doméstica;

fortalecimento das políticas públicas;

acesso à justiça.

CONQUISTAS IMPORTANTES

Apesar das dificuldades, ocorreram avanços importantes:

crescimento da escolarização;

aumento do acesso ao ensino superior;

fortalecimento dos movimentos de mulheres negras;

maior participação em concursos públicos;

expansão do empreendedorismo feminino;

fortalecimento das políticas de igualdade racial;

maior visibilidade na cultura, ciência e política.

CONCLUSÃO

A realidade das mulheres negras no Brasil revela profundas desigualdades produzidas pela combinação entre racismo estrutural e desigualdade de gênero. Apesar dos avanços conquistados por meio da organização dos movimentos sociais, das políticas públicas e da ampliação do acesso à educação, persistem desafios significativos relacionados à remuneração, violência, discriminação, acesso ao trabalho formal e ocupação de espaços de poder.

Promover a igualdade racial e de gênero exige ações contínuas do Estado, das empresas, das instituições e da sociedade, garantindo oportunidades, proteção e participação plena das mulheres negras em todos os setores da vida social. O enfrentamento dessas desigualdades é fundamental para a construção de um país mais justo, democrático e inclusivo.

A TRAJETÓRIA DE MARCOS BENEDITO NA CUT



Com base nos registros históricos disponíveis da própria CUT, a trajetória de Marcos Benedito à frente da Comissão Nacional Contra a Discriminação Racial da CUT (CNCDR/CUT) foi um dos momentos mais importantes da consolidação da política de igualdade racial dentro da Central Única dos Trabalhadores.

A eleição para a coordenação da CNCDR/CUT

Marcos Benedito foi eleito coordenador da CNCDR/CUT durante a composição da gestão 2007–2010, definida em encontro nacional realizado em agosto de 2007. A nova direção recebeu o desafio de fortalecer a luta antirracista no movimento sindical, ampliar a organização nacional da Comissão e estruturar um plano estratégico de atuação. Em dezembro de 2007, a Comissão realizou uma Oficina Nacional de Planejamento, reunindo representantes de diversos estados e secretarias da CUT para definir metas e prioridades para o período. �

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A gestão de Marcos Benedito

Sob sua coordenação, a CNCDR deixou de atuar apenas como um espaço de debates e passou a ter forte incidência política nacional. Entre os principais resultados da gestão destacam-se:

elaboração de planejamento nacional permanente para o combate ao racismo;

fortalecimento das comissões estaduais de combate à discriminação racial;

participação ativa nas discussões sobre o Estatuto da Igualdade Racial;

defesa da implementação da Lei 10.639/2003, que tornou obrigatório o ensino da História e Cultura Afro-Brasileira;

articulação com organismos internacionais, especialmente a Organização Internacional do Trabalho (OIT) e a Confederação Sindical Internacional (CSI);

participação da CUT na Conferência de Revisão de Durban, realizada na ONU, em Genebra, em 2009;

representação da CUT em importantes espaços nacionais, como o Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CNPIR) e o Congresso Nacional de Negras e Negros do Brasil (CONNEB). �

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A criação da Secretaria Nacional Contra a Discriminação Racial (SNCDR/CUT)

Talvez o maior legado da gestão tenha sido a transformação da Comissão em uma Secretaria Nacional.

Desde sua criação, em 1992, a CNCDR reivindicava que a pauta racial tivesse status permanente dentro da estrutura da CUT. Durante a gestão de Marcos Benedito, a Comissão organizou debates, seminários, encontros nacionais e articulou apoio junto às direções estaduais e nacional da Central.

Esse trabalho culminou na 12ª Plenária Nacional da CUT, realizada em agosto de 2008, quando foi aprovada a criação da Secretaria Nacional de Combate ao Racismo (posteriormente denominada Secretaria Nacional Contra a Discriminação Racial). A decisão representou o reconhecimento de que o enfrentamento ao racismo deveria integrar a estrutura política permanente da Central. �

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O próprio Marcos Benedito afirmou, em entrevista concedida em 2009:

"Fico muito feliz que a secretaria contra a discriminação racial tenha sido criada durante nossa gestão; isso significa que estamos no rumo certo e que conseguimos sensibilizar a direção cutista para a importância do tema." �

CUT - Central Única dos Trabalhadores

O papel da CNCDR na criação da Secretaria

A Secretaria não surgiu espontaneamente. Ela foi resultado direto do trabalho desenvolvido pela CNCDR, que:

organizou nacionalmente a militância antirracista da CUT;

formulou propostas políticas e estatutárias;

promoveu seminários nacionais sobre igualdade racial;

articulou sindicatos, federações e estaduais;

construiu consenso interno para que o combate ao racismo deixasse de ser apenas uma comissão temática e passasse a integrar oficialmente a estrutura executiva da CUT;

preparou a transição organizativa para a nova Secretaria Nacional. �

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Avaliação histórica

Historicamente, a gestão de Marcos Benedito é reconhecida por consolidar a política antirracista da CUT em nível nacional. Seu período à frente da CNCDR foi marcado pela profissionalização do planejamento, pela ampliação da representação institucional da Central em fóruns nacionais e internacionais e, sobretudo, pela conquista política da criação da Secretaria Nacional Contra a Discriminação Racial, considerada um marco na história da CUT e do sindicalismo brasileiro. 

https://www.cut.org.br/noticias/cncdr-cut-b293?utm_source=chatgpt.com

https://www.cut.org.br/noticias/comissao-contra-a-discriminacao-racial-cut-realiza-seminario-nacional-aad7?utm_source=chatgpt.com

https://www.cut.org.br/artigos/criacao-da-secretaria-de-combate-ao-racismo-fortalece-a-luta-sindical?utm_source=chatgpt.com



sexta-feira, 17 de julho de 2026

Relatório Executivo de Observação do Banco Santander S.A

O Relatório Executivo de Observação do Banco Santander S.A., elaborado pelo Instituto Observatório Social em 2001, é um dos estudos mais detalhados sobre as relações de trabalho no banco naquele período. A pesquisa foi realizada entre setembro de 2000 e agosto de 2001, logo após a expansão do Santander no Brasil, incluindo a incorporação do Banespa. �

OBSERVATÓRIO SOCIAL


Entre as principais conclusões do relatório, destacam-se:

Liberdade sindical: o estudo afirma que o banco demonstrava pouca disposição para negociar diretamente com os sindicatos, fazendo-o, segundo o relatório, apenas sob forte pressão. Também apontava dificuldades de acesso dos representantes sindicais a informações importantes para as negociações. �


Saúde e segurança do trabalho: o documento identificou como principal doença ocupacional entre os trabalhadores as LER/DORT (Lesões por Esforços Repetitivos/Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho). Entre as falhas apontadas estavam mobiliário inadequado, treinamentos insuficientes, ausência de pausas efetivas, excesso de jornada e deficiência nas ações preventivas. �


Saúde mental: trabalhadores entrevistados relataram elevados níveis de estresse, desânimo, depressão e irritação, considerados pelo estudo como problemas relacionados ao ambiente e à organização do trabalho. �


CIPA: o relatório concluiu que a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA) tinha atuação limitada, com baixa participação dos trabalhadores e influência da empresa no processo eleitoral, comprometendo sua independência. �

Planos de saúde: foram registradas reclamações sobre cobrança de franquias, diferenças no atendimento conforme o nível hierárquico e dificuldades no acesso à assistência médica em algumas unidades. �


Responsabilidade social: apesar de o Santander integrar o Instituto Ethos, o Observatório Social avaliou que as iniciativas sociais do banco eram, naquele momento, pouco expressivas em áreas como meio ambiente, combate à discriminação e promoção dos direitos humanos. �


O relatório enfatiza que sua metodologia não buscava apenas identificar violações, mas também verificar como a empresa reagia aos problemas, quais mecanismos preventivos adotava e se promovia uma cultura de respeito aos direitos fundamentais do trabalho, conforme as convenções da Organização Internacional do Trabalho (OIT). �

É importante observar que esse documento retrata a realidade investigada entre 2000 e 2001. Desde então, o Santander afirma ter implementado diversas políticas de negociação coletiva, saúde, segurança, diversidade e responsabilidade social, descritas em seus relatórios anuais e de sustentabilidade mais recentes. �

O Relatório Executivo de Observação do Banco Santander S.A., elaborado pelo Instituto Observatório Social em 2001, é um dos estudos mais detalhados sobre as relações de trabalho no banco naquele período. A pesquisa foi realizada entre setembro de 2000 e agosto de 2001, logo após a expansão do Santander no Brasil, incluindo a incorporação do Banespa.


quinta-feira, 12 de março de 2026

A construção da política de combate ao racismo na CUT - Por: Asseplan

 


Da Comissão Nacional contra a Discriminação Racial à criação da Secretaria Nacional de Combate ao Racismo

A luta contra o racismo dentro da Central Única dos Trabalhadores (CUT) não surgiu de forma espontânea nem foi resultado de uma decisão isolada. Ela foi construída ao longo de anos de mobilização, reflexão política, formação sindical e organização de trabalhadores comprometidos com a igualdade racial.

A criação da Secretaria Nacional de Combate ao Racismo da CUT representa um marco histórico dentro do movimento sindical brasileiro. No entanto, para compreender plenamente esse momento, é necessário reconhecer e valorizar o processo que o antecedeu: a atuação decisiva da Comissão Nacional contra a Discriminação Racial da CUT, que foi responsável por preparar o terreno político, organizativo e formativo que tornaria possível a institucionalização dessa política dentro da central.

A Comissão Nacional contra a Discriminação Racial da CUT

Antes da criação da Secretaria Nacional de Combate ao Racismo, a CUT organizou a Comissão Nacional contra a Discriminação Racial, um espaço político e organizativo dedicado a discutir e enfrentar o racismo no mundo do trabalho.

A comissão surgiu em um momento em que o movimento sindical brasileiro começava a aprofundar sua compreensão sobre as desigualdades estruturais presentes na sociedade brasileira, reconhecendo que a exploração do trabalho também estava profundamente marcada por desigualdades raciais.

A Comissão Nacional contra a Discriminação Racial passou então a desempenhar um papel fundamental dentro da CUT, com objetivos claros:

inserir o debate sobre racismo na agenda do movimento sindical

denunciar práticas de discriminação racial no mundo do trabalho

promover a formação política e sindical sobre igualdade racial

articular trabalhadores e dirigentes sindicais comprometidos com essa pauta

construir propostas de políticas sindicais de combate à discriminação racial

Esse espaço tornou-se, ao longo dos anos, um verdadeiro laboratório político de reflexão, debate e construção coletiva dentro da CUT.

A coordenação nacional da comissão

No período que antecedeu a criação da secretaria nacional, a Comissão Nacional contra a Discriminação Racial teve como último coordenador nacional o dirigente sindical bancário Marcos Benedito da Silva.

Sob sua coordenação, a comissão passou por um importante processo de reorganização e fortalecimento. O trabalho desenvolvido nesse período foi decisivo para ampliar o alcance da discussão sobre racismo dentro da central sindical.

A atuação de Marcos Benedito da Silva contribuiu para:

ampliar o diálogo com sindicatos de diferentes categorias

estimular o debate sobre igualdade racial nas CUTs estaduais

promover encontros e reuniões de articulação nacional

incentivar processos de formação política e sindical sobre o tema

Esse trabalho ajudou a consolidar o entendimento de que o combate ao racismo deveria ser tratado como uma política permanente dentro da estrutura da CUT, e não apenas como uma pauta ocasional.

Cursos de formação e capacitação sindical

Um dos pilares do trabalho desenvolvido pela Comissão Nacional contra a Discriminação Racial foi a formação política e sindical.

Foram realizados diversos cursos de capacitação em várias regiões do país, reunindo dirigentes sindicais, militantes e trabalhadores interessados em aprofundar o debate sobre igualdade racial.

Esses cursos abordavam temas fundamentais, como:

racismo estrutural na sociedade brasileira

desigualdade racial no mercado de trabalho

discriminação racial nas relações de trabalho

legislação brasileira de combate à discriminação

políticas de inclusão e ações afirmativas

organização de coletivos de igualdade racial dentro dos sindicatos

A formação teve um papel estratégico, pois buscava preparar dirigentes sindicais capazes de levar o debate racial para dentro de suas categorias e locais de trabalho.

Esse processo contribuiu para criar uma base política sólida dentro do movimento sindical, fortalecendo a consciência de que a luta por justiça social também passa necessariamente pelo enfrentamento ao racismo.

Encontros nacionais e regionais

Além das atividades de formação, a Comissão Nacional contra a Discriminação Racial promoveu diversos encontros nacionais e regionais, que se tornaram espaços importantes de troca de experiências e construção política coletiva.

Nesses encontros, dirigentes e militantes discutiam:

experiências de combate ao racismo nos sindicatos

situações de discriminação vividas por trabalhadores negros

formas de ampliar a participação de trabalhadores negros nas direções sindicais

estratégias de enfrentamento ao racismo no mundo do trabalho

Esses encontros permitiram fortalecer uma rede nacional de sindicalistas comprometidos com a luta antirracista, ampliando o diálogo entre diferentes categorias e regiões do país.

Debates e reuniões nos sindicatos

O trabalho da comissão também se estendeu para dentro dos sindicatos. Diversas entidades passaram a organizar reuniões, seminários e debates sobre racismo e igualdade racial.

Essas discussões ocorreram em sindicatos de diferentes categorias, entre elas:

bancários

metalúrgicos

professores

servidores públicos

trabalhadores da saúde

trabalhadores rurais

Nesses espaços eram discutidos temas como:

desigualdade racial nas empresas

dificuldades de ascensão profissional de trabalhadores negros

discriminação nos ambientes de trabalho

representatividade negra nas direções sindicais

Esse processo foi fundamental para levar o debate racial para a base do movimento sindical, aproximando a discussão da realidade concreta vivida pelos trabalhadores.

A construção política da Secretaria Nacional de Combate ao Racismo

Com o acúmulo de debates, formações e articulações promovidas pela Comissão Nacional contra a Discriminação Racial, começou a amadurecer dentro da CUT a compreensão de que era necessário dar um passo adiante.

A luta contra o racismo precisava deixar de ser conduzida apenas por uma comissão e passar a integrar de forma permanente a estrutura organizativa da central sindical.

A própria comissão passou então a defender a criação de uma secretaria nacional específica para tratar da questão racial.

Esse debate foi construído gradualmente em:

reuniões nacionais da comissão

encontros sindicais

debates nas CUTs estaduais

plenárias e congressos da central

A proposta foi ganhando apoio entre dirigentes e militantes, consolidando a ideia de que o combate ao racismo deveria ocupar um lugar estruturado dentro da política sindical da CUT.

A criação da Secretaria Nacional de Combate ao Racismo

Como resultado desse processo histórico de mobilização e construção política, a CUT decidiu instituir oficialmente a Secretaria Nacional de Combate ao Racismo.

A criação da secretaria representou a consolidação institucional de uma luta que vinha sendo construída ao longo de muitos anos por trabalhadores, militantes e dirigentes sindicais comprometidos com a igualdade racial.

A nova secretaria passou a ter como principais objetivos:

combater o racismo no mundo do trabalho

formular políticas sindicais de igualdade racial

promover formação política e sindical sobre o tema

fortalecer coletivos e iniciativas antirracistas dentro dos sindicatos

ampliar a participação de trabalhadores negros nas estruturas do movimento sindical

articular o movimento sindical com organizações do movimento negro e outras entidades da sociedade civil

Um marco na história do movimento sindical brasileiro

A criação da Secretaria Nacional de Combate ao Racismo da CUT representa um marco importante na história do movimento sindical brasileiro.

Ela simboliza o reconhecimento de que a luta da classe trabalhadora também passa pelo enfrentamento das desigualdades raciais que marcam profundamente a sociedade brasileira.

Esse avanço só foi possível graças ao trabalho desenvolvido anteriormente pela Comissão Nacional contra a Discriminação Racial, que desempenhou um papel essencial na organização, formação e mobilização de trabalhadores e dirigentes sindicais em todo o país.

A atuação de militantes e dirigentes comprometidos com essa pauta — entre eles o dirigente sindical bancário Marcos Benedito da Silva, que coordenou a comissão nacional no período que antecedeu a criação da secretaria — foi fundamental para consolidar as bases políticas que tornaram possível esse passo histórico.

Assim, a Secretaria Nacional de Combate ao Racismo da CUT não surgiu apenas como uma nova estrutura organizativa, mas como o resultado de um processo coletivo de construção política dentro do movimento sindical brasileiro, fruto de anos de debate, formação, mobilização e compromisso com a luta por justiça social e igualdade racial.

domingo, 1 de março de 2026

Marcos Benedito da Silva: Uma Vida de Luta, Justiça e Igualdade


A história de Marcos Benedito da Silva é marcada por coragem, determinação e compromisso com a dignidade humana. Desde os primeiros passos no movimento sindical até a militância antirracismo na CUT, sua trajetória é um exemplo de como a vida profissional e social pode se transformar em instrumento de transformação coletiva.

Primeiros Passos no Movimento Sindical

No final da década de 1970, o Brasil vivia o período final da ditadura militar, e a organização dos trabalhadores era uma tarefa delicada e desafiadora. Marcos Benedito iniciou sua caminhada ainda jovem, trabalhando como auxiliar administrativo no Banco Itaú.

Entre 1978 e 1983, ele se destacou por sua capacidade de ouvir, organizar e mobilizar colegas. Lembranças simples da época, como chegar ao banco com quinze minutos de atraso sem tempo de se trocar para o uniforme, revelam a vida intensa e muitas vezes sufocante do trabalhador bancário da época. Esses momentos marcaram o início de sua consciência sobre a importância da solidariedade entre colegas e da luta por direitos.

Sua atuação nessa fase não se limitava a reivindicações salariais. Ele buscava fortalecer a unidade da categoria, entendendo que só uma classe organizada poderia enfrentar os desafios da época.

Segurança e Saúde: A CIPA

Em 1990, Marcos Benedito participou da eleição para a CIPA no Banco Noroeste, experiência que ampliou sua visão sobre segurança e saúde no trabalho. Ele percebeu que proteger os trabalhadores não era apenas evitar acidentes: era preservar vidas, saúde e dignidade.

Essa experiência também mostrou a importância de documentação, fiscalização e acompanhamento de casos reais, preparando-o para desafios maiores que viriam nos anos seguintes.

O GTSB: Lutando Pela Saúde do Trabalhador

A década de 1990 trouxe reestruturações profundas no setor bancário. A informatização, a redução de quadros e a imposição de metas cada vez mais agressivas resultaram em um aumento expressivo do adoecimento da categoria — físico e mental.

Em 1999, Marcos Benedito integrou o GTSB – Grupo de Trabalho de Saúde do Bancário, criado pelo Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região. Nesse grupo, ele desempenhou um papel estratégico:

Produziu estudos sobre LER/DORT e saúde mental;

Acompanhou bancários afastados e orientou na emissão de CAT;

Dialogou com médicos do trabalho, psicólogos, ergonomistas e advogados;

Participou de negociações de cláusulas de saúde nas convenções coletivas;

Organizou seminários e debates, conscientizando a categoria sobre prevenção e qualidade de vida.

Marcos Benedito entendeu, antes de muitos, que a saúde do trabalhador não era uma questão individual, mas estrutural. Seu trabalho ajudou a transformar a saúde em eixo central da luta sindical, e não apenas um tema secundário.

Gestão Pública: Transformando Políticas em Realidade

Além da atuação sindical, Marcos Benedito levou sua experiência para a gestão pública. Entre 2010 e 2016, atuou em Araçatuba em assessoria junto à administração municipal, colaborando em ações concretas:

Regularização de documentos de igrejas e instituições comunitárias;

Recapeamento de ruas e instalação de semáforos em regiões próximas a centros comunitários;

Diálogo com lideranças locais e promoção de políticas de inclusão social.

Sua atuação mostrou que a experiência sindical pode ser transformadora fora do sindicato, impactando a vida de comunidades inteiras.

Militância Antirracismo na CUT

Paralelamente, Marcos Benedito se engajou na militância antirracismo pela Central Única dos Trabalhadores (CUT). Ele participou da construção de debates sobre igualdade racial, inclusão no ambiente de trabalho e acesso a cargos de liderança.

Entre suas ações destacam-se:

Organização de campanhas de conscientização;

Formação de dirigentes sindicais sobre combate à discriminação racial;

Apoiou políticas de inclusão e fortalecimento de trabalhadores negros na base sindical.

Essa militância reforçou sua convicção: a luta pelos direitos dos trabalhadores e a luta contra a desigualdade racial são causas inseparáveis.

Um Legado de Coragem e Solidariedade

A trajetória de Marcos Benedito da Silva é a história de quem entendeu que lutar pelos outros é também lutar por si mesmo. Seu legado une três dimensões:

Sindicalismo: defesa da saúde e dignidade do trabalhador bancário;

Gestão pública: transformação concreta das políticas e serviços à comunidade;

Antirracismo: promoção da igualdade racial e inclusão social.

Cada etapa de sua vida mostra que engajamento, conhecimento técnico e consciência social caminham juntos. Ele prova que a luta sindical e social não é apenas uma questão de direito ou dever, mas de humanidade.

Marcos Benedito deixa, assim, um exemplo vivo de como a dedicação contínua à justiça, à equidade e à solidariedade pode transformar vidas e inspirar gerações.

quinta-feira, 13 de novembro de 2025

Conheça a trajetória de Marcos Benedito

Conheça a trajetória de Marcos Benedito

Diretor do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região (1991/2008).

Coordenou a Comissão de Empresa do Santander no Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região 1998/2001.

Coordenou o GTSB (Grupo de Trabalho do Santander) (1991/2003).

Conselheiro da CONTRAF/CUT (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro da CUT) na gestão 2(2008/2010).

Representante da CUT no CNPIR (Conselho Nacional da Promoção da Igualdade Racial).

Representante da CUT Nacional no INSPIR (2008/2010).

Secretário Geral da AFUBESP (Associação dos Funcionários do Santander Banespa).

Coordenou a Comissão Nacional Contra a Discriminação Racial (CNCDR/CUT) da CUT (2007/2010).

Membro da Executiva da CNB/CUT (Confederação Nacional dos Bancários) e da CONTRAF/CUT (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro) 2001/2007.

Presidente do INSPIR (Instituto Sindical Interamericano Pela Promoção da Igualdade Racial) no ano de (2008/2009).

Participou do CONCLAT (Congresso da Classe Trabalhadora que fundou a Central Única dos Trabalhadores) em 1983 no Pavilhão Vera Cruz em São Bernardo.

Facilitador do processo de construção do FCCN (Fórum da Construção da Consciência Negra de Araçatuba).

Membro suplente no Conselho Municipal de Políticas Culturais de Araçatuba.

Genebra em 2009 da Revisão de Durban, como membro da Delegação Oficial do Brasil e na Representação Sindical da América Latina e Caribe.

CONAPIR (Conferência Nacional da Promoção da Igualdade Racial).

PLANAPIR (Plano Nacional da promoção da Igualdade Racial).

Audiência Pública do STF (Supremo Tribunal Federal) sobre cotas nas universidades.

CONNEB (Participou da Coordenação do Congresso de Negras e Negros do Brasil.

Marcha da Consciência Negra Participação na (Coordenação representando a CUT).

Marcha Noturna (Participação na Coordenação, representando a CUT. 

Ato da Assinatura do Participou da elaboração e aprovação do Estatuto da Igualdade Racial na Representação do Conselho Nacional da Promoção da Igualdade Racial da Secretaria Especial de Promoção da Igualdade Racial (CNPIR/SEPPIR).

Países em que atuou representando a Central Única dos Trabalhadores (CUT), o Sindicato dos Bancários de Osasco e Região (SEEB/SP), o Instituto Sindical Interamericano Pela Igualdade Racial (INSPIR) e a SEPPIR: 

México, Chile, Uruguai, Argentina, Espanha e Suiça. Além de vários estados brasileiros.

Genebra em 2009, da Revisão de Durban, como membro da Delegação Oficial do Brasil e na Representação Sindical da América Latina e Caribe.

Experiências em Araçatuba:

Diretor de Afirmação de Direitos na Secretaria Municipal de Participação Cidadã da Prefeitura Municipal de Araçatuba (2010/2011).

Assessor de Gabinete do Prefeito na Ação Regional da Prefeitura Municipal de Araçatuba (2011/2012).

Assessor de Elaboração de Projetos e Planejamento da Secretaria Municipal de Educação de Araçatuba (2012/ 2016).

Membro suplente do Conselho Municipal de Políticas Culturais de Araçatuba.

Membro do Fórum da Construção da Consciência Negra (FCCN Araçatuba).

Coordenador do Núcleo de Estudo Afro-brasileiro de Araçatuba (NEAB-Araçatuba).

Assessor de Planejamento da Secretaria de Educação da Prefeitura Municipal de Araçatuba.