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sábado, 8 de agosto de 2026

Marcos Benedito: 12 anos na linha de frente dos trabalhadores do Banespa e Santander — 1991–2003 - Por Asseplan

 

12 anos na linha de frente dos trabalhadores do Banespa e Santander — 1991–2003

Uma trajetória construída na organização, na representação e na defesa dos bancários

A história sindical de Marcos Benedito se confunde, em boa medida, com um período de profundas transformações no sistema financeiro brasileiro e, particularmente, na história do Banespa e do Santander.

Sua trajetória como dirigente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, iniciada em 1991 e estendida até 2007, atravessou momentos decisivos: mudanças na organização do trabalho bancário, avanço da automação, aumento das pressões por produtividade, crescimento dos casos de doenças ocupacionais, privatização do Banespa e sua incorporação ao Grupo Santander.

É nesse cenário que surge uma das marcas mais importantes de sua atuação: a participação e a coordenação do GTSB — Grupo de Trabalho do Santander.

Um registro biográfico publicado pela Prefeitura de Araçatuba em 2010 identifica expressamente Marcos Benedito como coordenador do GTSB de 1991 a 2003, além de registrar sua coordenação da Comissão de Empresa do Santander, de 1998 a 2001, e sua atuação como diretor do Sindicato dos Bancários de São Paulo entre 1991 e 2007.

São, portanto, 12 anos de coordenação documentada do GTSB, em uma das fases mais importantes da transformação do Banespa e do sistema bancário brasileiro.

1. O nascimento de uma experiência de organização

Em 1991, Marcos Benedito inicia o período documentado de coordenação do GTSB.

O grupo representava uma forma de organizar, dentro da estrutura sindical, as demandas dos trabalhadores vinculados ao banco.

Mais do que acompanhar negociações, um grupo de trabalho dessa natureza permitia aproximar a representação sindical da realidade cotidiana dos bancários.

Era nas agências, nos departamentos e nos locais de trabalho que surgiam os problemas que posteriormente chegavam à mesa de negociação:

demissões, condições de trabalho, jornada, saúde, remuneração, pressão por produtividade e respeito aos direitos conquistados.

A experiência acumulada nessa estrutura seria fundamental para a atuação posterior de Marcos Benedito na representação dos trabalhadores do Santander.

2. 1991–2003: do Banespa ao Santander

O período de coordenação do GTSB atravessou uma transformação histórica.

Quando Marcos Benedito iniciou essa atuação, o Banespa ainda possuía sua identidade própria e estava inserido em uma realidade institucional completamente diferente daquela que surgiria depois da privatização.

A privatização e a posterior integração ao Grupo Santander produziram mudanças profundas na organização do banco e nas relações de trabalho.

Para os trabalhadores, não se tratava apenas da mudança do nome da instituição.

Era uma mudança de cultura empresarial, estrutura administrativa, políticas de pessoal e formas de gestão.

Nesse processo, o papel da organização sindical tornou-se ainda mais importante.

O GTSB passou a representar uma experiência acumulada de acompanhamento das transformações e de defesa dos trabalhadores.

3. A Comissão de Empresa do Santander

A experiência de Marcos Benedito no GTSB também aparece relacionada à sua atuação na Comissão de Empresa do Santander.

A documentação biográfica consultada registra que ele coordenou a Comissão de Empresa do Santander no Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região entre 1998 e 2001.

Esse período é particularmente significativo.

A atuação sindical passa a exigir não apenas organização dos trabalhadores, mas também capacidade de negociação com uma instituição financeira de grande porte e em processo acelerado de transformação.

A experiência do GTSB fornecia conhecimento da realidade dos trabalhadores.

A Comissão de Empresa ampliava essa experiência para o campo da negociação institucional.

Assim, as duas funções se complementavam.

4. 1999: a luta contra as doenças ocupacionais

Um dos capítulos mais expressivos dessa trajetória está relacionado à saúde dos bancários.

Em 1999, trabalhadores do Grupo Santander do Brasil organizaram o GTSB-LER/DORT — Grupo de Trabalho Santander Banespa, destinado à defesa dos trabalhadores portadores de doenças relacionadas ao trabalho.

A documentação preservada pela APdoBanespa identifica como coordenadores:

Marcos Benedito, Roberto Paulino e Aparecido Vilson Pereira.

Esse registro é especialmente importante porque demonstra que a atuação de Marcos não estava restrita às questões econômicas da categoria.

A saúde dos trabalhadores ocupava espaço central.

O arquivo histórico do GTSB-LER/DORT reúne temas como:

reintegração de trabalhadores;

estabilidade decorrente de acidente de trabalho;

indenizações;

doenças ocupacionais;

LER/DORT;

prevenção de doenças;

exames médicos;

responsabilidade do empregador;

assédio moral;

trabalhadores afastados;

condições de trabalho.

A criação dessa estrutura demonstra uma compreensão fundamental: a doença adquirida no trabalho não poderia ser tratada como um problema individual do bancário.

Era uma questão coletiva, relacionada à própria organização do trabalho.

5. O trabalhador adoecido como sujeito de direitos

A luta contra a LER/DORT ganhou enorme importância entre os bancários durante o período de expansão da informatização e intensificação do trabalho.

A repetição de movimentos, o uso permanente de equipamentos, a pressão por produtividade e as exigências crescentes de desempenho produziram consequências graves para muitos trabalhadores.

O GTSB-LER/DORT criou um espaço para organizar essas situações.

A atuação registrada no arquivo histórico inclui acompanhamento de processos envolvendo trabalhadores lesionados, reintegrações, indenizações e estabilidade.

Nesse contexto, a atuação de Marcos Benedito pode ser compreendida como parte de uma mudança importante na cultura sindical:

o trabalhador adoecido não deveria ser descartado; deveria ser protegido e ter seus direitos reconhecidos.

6. Depois da privatização: a defesa dos trabalhadores do antigo Banespa

A privatização do Banespa alterou profundamente a realidade dos trabalhadores.

A transformação não significou apenas mudança de controle acionário.

Também trouxe disputas relacionadas a empregos, direitos adquiridos, remuneração, aposentadoria, saúde e condições de trabalho.

Anos depois, já na AFUBESP, Marcos Benedito continuaria envolvido diretamente nessas questões.

Em 2005, participou de negociação em que o Santander se comprometeu a contratar mil trabalhadores naquele ano. Na mesma negociação, foi discutida a situação de banespianos que aguardavam aposentadoria do INSS e tiveram problemas relacionados ao pagamento de salários.

A experiência adquirida no período do GTSB, portanto, não terminou em 2003.

Ela acompanhou Marcos em suas novas responsabilidades de representação.

7. Saúde, assistência médica e direitos

Em setembro de 2005, já como secretário-geral da AFUBESP, Marcos participou da discussão sobre o plano de assistência médica dos funcionários do Santander Brasil.

O banco decidiu manter o Bradesco Saúde, decisão que trouxe alívio a trabalhadores que temiam aumento de preços e redução da qualidade do atendimento.

Marcos, entretanto, questionou por que o banco não adotava a Cabesp como alternativa para os trabalhadores do grupo.

A questão demonstra a continuidade de uma preocupação que já aparecia na experiência do GTSB:

a defesa do trabalhador precisava considerar também sua saúde, sua segurança e sua qualidade de vida.

8. O combate às demissões

Essa mesma postura apareceu nas mobilizações contra demissões.

Em julho de 2006, trabalhadores do Santander Banespa paralisaram atividades no CASA III e em unidades da Zona Sul de São Paulo contra demissões e pressão nas agências.

Marcos Benedito participou da atividade e criticou a política de metas, o assédio moral e o desrespeito à jornada de trabalho.

A mobilização mostra a continuidade de uma linha de atuação:

organizar os trabalhadores para enfrentar coletivamente os problemas que atingiam cada trabalhador individualmente.

9. A conquista da PLR

Em fevereiro de 2007, uma negociação envolvendo a Contraf-CUT, sindicatos e AFUBESP garantiu aos bancários do Santander Banespa R$ 1.000 adicionais de PLR.

Marcos Benedito, então diretor da Contraf-CUT e secretário-geral da AFUBESP, atribuiu a conquista à pressão e à mobilização dos trabalhadores.

O episódio é representativo da concepção sindical construída ao longo de sua trajetória:

negociação e mobilização caminhando juntas.

10. A defesa dos direitos dos antigos banespianos

Em 2007, a atuação de Marcos continuava voltada também à preservação dos direitos dos trabalhadores que haviam construído sua carreira no Banespa.

Durante negociação sobre o aditivo à Convenção Coletiva, a representação dos trabalhadores discutiu questões específicas dos empregados admitidos antes da privatização.

Entre elas estava o intervalo de 15 minutos dentro da jornada de seis horas, além de questões relacionadas aos aposentados pré-75, Cabesp e Banesprev.

A defesa desses direitos demonstra que a experiência sindical não se limitava aos empregados da ativa.

Também envolvia aqueles que haviam construído sua vida profissional no antigo banco estatal.

11. 2008: a luta contra demissões consideradas irregulares

Em dezembro de 2008, Marcos Benedito, então secretário-geral da AFUBESP e diretor executivo da CNB/CUT, participou da entrega ao Santander Banespa de uma lista com dezenas de trabalhadores que haviam sido demitidos e cujos casos eram considerados irregulares pela representação sindical.

Entre os casos estavam trabalhadores com problemas de saúde, empregados em período de estabilidade pré-aposentadoria e funcionários com boas avaliações profissionais.

Marcos cobrou do banco critérios para impedir demissões imotivadas.

Essa atuação representa uma continuidade direta da trajetória iniciada no GTSB:

defender o trabalhador antes que ele se transforme apenas em um número dentro das estatísticas de pessoal.

12. O GTSB como escola de representação sindical

Olhando retrospectivamente, os 12 anos de coordenação do GTSB, entre 1991 e 2003, podem ser compreendidos como um dos principais períodos de formação e consolidação da atuação de Marcos Benedito na representação dos trabalhadores do Santander.

A experiência combinou:

organização de base;

acompanhamento das condições de trabalho;

negociação;

mobilização;

defesa da saúde;

combate às demissões;

preservação de direitos;

e construção de representação coletiva.

O GTSB não deve ser visto apenas como uma estrutura burocrática.

Ele foi uma ferramenta de organização.

Foi através de espaços como esse que problemas cotidianos dos trabalhadores puderam ganhar dimensão coletiva.

13. Uma trajetória que ultrapassou o banco

A experiência adquirida no movimento bancário posteriormente levou Marcos Benedito a outras áreas de representação.

Sua trajetória registrada inclui a atuação na AFUBESP, na Contraf-CUT e, posteriormente, na Comissão Nacional contra a Discriminação Racial da CUT.

A própria documentação biográfica registra Marcos como coordenador da Comissão Nacional contra a Discriminação Racial da CUT entre 2007 e 2010.

Isso ajuda a compreender uma característica de sua trajetória: a experiência adquirida na organização dos trabalhadores bancários acabou sendo levada para outras dimensões da luta por direitos.

A defesa do trabalhador, a igualdade de oportunidades e o combate às discriminações passaram a integrar um mesmo campo de atuação.

14. O legado de 12 anos de GTSB

Entre 1991 e 2003, Marcos Benedito esteve à frente de uma experiência que atravessou praticamente toda uma década de transformação do sistema financeiro.

Começou em um banco ainda identificado como Banespa.

Atravessou o processo de privatização.

Acompanhou a chegada e consolidação do Santander.

Participou da organização dos trabalhadores.

Coordenou a Comissão de Empresa.

Atuou na defesa dos trabalhadores atingidos por doenças ocupacionais.

E levou essa experiência para sua atuação posterior na AFUBESP e na representação nacional dos bancários.

Por isso, contar a história do GTSB é contar uma parte importante da própria história sindical de Marcos Benedito.

CONCLUSÃO

A trajetória de Marcos Benedito no GTSB — Grupo de Trabalho do Santander não pode ser reduzida a uma relação de cargos ou funções.

Ela representa 12 anos de organização e representação dos trabalhadores, entre 1991 e 2003, documentados em fontes históricas.

Foi um período em que o sistema bancário mudou radicalmente.

O Banespa deixou de ser um banco estatal.

O Santander ampliou sua presença no Brasil.

As relações de trabalho foram modificadas.

As metas e a pressão por produtividade ganharam espaço.

As doenças ocupacionais tornaram-se uma preocupação crescente.

E os trabalhadores precisaram construir novas formas de resistência e negociação.

Nesse processo, Marcos Benedito esteve presente.

Sua trajetória no GTSB, sua coordenação da Comissão de Empresa do Santander e sua posterior atuação na AFUBESP e na Contraf-CUT formam uma linha de continuidade.

Da organização no local de trabalho à mesa de negociação.

Da defesa do bancário adoecido à luta contra as demissões.

Da preservação dos direitos dos antigos banespianos à construção de novas conquistas.

Essa é a dimensão histórica de sua participação.

Mais do que ocupar funções, Marcos Benedito ajudou a construir uma cultura de representação baseada na ideia de que nenhum trabalhador deveria enfrentar sozinho os problemas produzidos pela relação de trabalho.

E talvez seja esse o maior legado daquela experiência:

transformar a reclamação individual em organização coletiva, e transformar a organização coletiva em conquista de direitos.

DOCUMENTAÇÃO HISTÓRICA CONSULTADA

Registro biográfico de Marcos Benedito publicado pela Prefeitura Municipal de Araçatuba, preservado pelo Geledés, contendo os períodos de coordenação do GTSB e da Comissão de Empresa do Santander.

Arquivo histórico da APdoBanespa, com documentação específica do GTSB-LER/DORT e identificação de seus coordenadores.

Arquivo da AFUBESP, com registros das negociações, mobilizações e atuação de Marcos Benedito no Santander Banespa.

Publicação sindical sobre a paralisação de 2006 contra demissões e pressão nas agências.

Registro da negociação que garantiu adicional de PLR aos trabalhadores do Santander Banespa em 2007.

Observação histórica: esta versão é deliberadamente cuidadosa. A documentação encontrada comprova diretamente os períodos 1991–2003 (GTSB) e 1998–2001 (Comissão de Empresa), além da coordenação do GTSB-LER/DORT em 1999

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