LUTA

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quinta-feira, 12 de março de 2026

A construção da política de combate ao racismo na CUT - Por: Asseplan

 


Da Comissão Nacional contra a Discriminação Racial à criação da Secretaria Nacional de Combate ao Racismo

A luta contra o racismo dentro da Central Única dos Trabalhadores (CUT) não surgiu de forma espontânea nem foi resultado de uma decisão isolada. Ela foi construída ao longo de anos de mobilização, reflexão política, formação sindical e organização de trabalhadores comprometidos com a igualdade racial.

A criação da Secretaria Nacional de Combate ao Racismo da CUT representa um marco histórico dentro do movimento sindical brasileiro. No entanto, para compreender plenamente esse momento, é necessário reconhecer e valorizar o processo que o antecedeu: a atuação decisiva da Comissão Nacional contra a Discriminação Racial da CUT, que foi responsável por preparar o terreno político, organizativo e formativo que tornaria possível a institucionalização dessa política dentro da central.

A Comissão Nacional contra a Discriminação Racial da CUT

Antes da criação da Secretaria Nacional de Combate ao Racismo, a CUT organizou a Comissão Nacional contra a Discriminação Racial, um espaço político e organizativo dedicado a discutir e enfrentar o racismo no mundo do trabalho.

A comissão surgiu em um momento em que o movimento sindical brasileiro começava a aprofundar sua compreensão sobre as desigualdades estruturais presentes na sociedade brasileira, reconhecendo que a exploração do trabalho também estava profundamente marcada por desigualdades raciais.

A Comissão Nacional contra a Discriminação Racial passou então a desempenhar um papel fundamental dentro da CUT, com objetivos claros:

inserir o debate sobre racismo na agenda do movimento sindical

denunciar práticas de discriminação racial no mundo do trabalho

promover a formação política e sindical sobre igualdade racial

articular trabalhadores e dirigentes sindicais comprometidos com essa pauta

construir propostas de políticas sindicais de combate à discriminação racial

Esse espaço tornou-se, ao longo dos anos, um verdadeiro laboratório político de reflexão, debate e construção coletiva dentro da CUT.

A coordenação nacional da comissão

No período que antecedeu a criação da secretaria nacional, a Comissão Nacional contra a Discriminação Racial teve como último coordenador nacional o dirigente sindical bancário Marcos Benedito da Silva.

Sob sua coordenação, a comissão passou por um importante processo de reorganização e fortalecimento. O trabalho desenvolvido nesse período foi decisivo para ampliar o alcance da discussão sobre racismo dentro da central sindical.

A atuação de Marcos Benedito da Silva contribuiu para:

ampliar o diálogo com sindicatos de diferentes categorias

estimular o debate sobre igualdade racial nas CUTs estaduais

promover encontros e reuniões de articulação nacional

incentivar processos de formação política e sindical sobre o tema

Esse trabalho ajudou a consolidar o entendimento de que o combate ao racismo deveria ser tratado como uma política permanente dentro da estrutura da CUT, e não apenas como uma pauta ocasional.

Cursos de formação e capacitação sindical

Um dos pilares do trabalho desenvolvido pela Comissão Nacional contra a Discriminação Racial foi a formação política e sindical.

Foram realizados diversos cursos de capacitação em várias regiões do país, reunindo dirigentes sindicais, militantes e trabalhadores interessados em aprofundar o debate sobre igualdade racial.

Esses cursos abordavam temas fundamentais, como:

racismo estrutural na sociedade brasileira

desigualdade racial no mercado de trabalho

discriminação racial nas relações de trabalho

legislação brasileira de combate à discriminação

políticas de inclusão e ações afirmativas

organização de coletivos de igualdade racial dentro dos sindicatos

A formação teve um papel estratégico, pois buscava preparar dirigentes sindicais capazes de levar o debate racial para dentro de suas categorias e locais de trabalho.

Esse processo contribuiu para criar uma base política sólida dentro do movimento sindical, fortalecendo a consciência de que a luta por justiça social também passa necessariamente pelo enfrentamento ao racismo.

Encontros nacionais e regionais

Além das atividades de formação, a Comissão Nacional contra a Discriminação Racial promoveu diversos encontros nacionais e regionais, que se tornaram espaços importantes de troca de experiências e construção política coletiva.

Nesses encontros, dirigentes e militantes discutiam:

experiências de combate ao racismo nos sindicatos

situações de discriminação vividas por trabalhadores negros

formas de ampliar a participação de trabalhadores negros nas direções sindicais

estratégias de enfrentamento ao racismo no mundo do trabalho

Esses encontros permitiram fortalecer uma rede nacional de sindicalistas comprometidos com a luta antirracista, ampliando o diálogo entre diferentes categorias e regiões do país.

Debates e reuniões nos sindicatos

O trabalho da comissão também se estendeu para dentro dos sindicatos. Diversas entidades passaram a organizar reuniões, seminários e debates sobre racismo e igualdade racial.

Essas discussões ocorreram em sindicatos de diferentes categorias, entre elas:

bancários

metalúrgicos

professores

servidores públicos

trabalhadores da saúde

trabalhadores rurais

Nesses espaços eram discutidos temas como:

desigualdade racial nas empresas

dificuldades de ascensão profissional de trabalhadores negros

discriminação nos ambientes de trabalho

representatividade negra nas direções sindicais

Esse processo foi fundamental para levar o debate racial para a base do movimento sindical, aproximando a discussão da realidade concreta vivida pelos trabalhadores.

A construção política da Secretaria Nacional de Combate ao Racismo

Com o acúmulo de debates, formações e articulações promovidas pela Comissão Nacional contra a Discriminação Racial, começou a amadurecer dentro da CUT a compreensão de que era necessário dar um passo adiante.

A luta contra o racismo precisava deixar de ser conduzida apenas por uma comissão e passar a integrar de forma permanente a estrutura organizativa da central sindical.

A própria comissão passou então a defender a criação de uma secretaria nacional específica para tratar da questão racial.

Esse debate foi construído gradualmente em:

reuniões nacionais da comissão

encontros sindicais

debates nas CUTs estaduais

plenárias e congressos da central

A proposta foi ganhando apoio entre dirigentes e militantes, consolidando a ideia de que o combate ao racismo deveria ocupar um lugar estruturado dentro da política sindical da CUT.

A criação da Secretaria Nacional de Combate ao Racismo

Como resultado desse processo histórico de mobilização e construção política, a CUT decidiu instituir oficialmente a Secretaria Nacional de Combate ao Racismo.

A criação da secretaria representou a consolidação institucional de uma luta que vinha sendo construída ao longo de muitos anos por trabalhadores, militantes e dirigentes sindicais comprometidos com a igualdade racial.

A nova secretaria passou a ter como principais objetivos:

combater o racismo no mundo do trabalho

formular políticas sindicais de igualdade racial

promover formação política e sindical sobre o tema

fortalecer coletivos e iniciativas antirracistas dentro dos sindicatos

ampliar a participação de trabalhadores negros nas estruturas do movimento sindical

articular o movimento sindical com organizações do movimento negro e outras entidades da sociedade civil

Um marco na história do movimento sindical brasileiro

A criação da Secretaria Nacional de Combate ao Racismo da CUT representa um marco importante na história do movimento sindical brasileiro.

Ela simboliza o reconhecimento de que a luta da classe trabalhadora também passa pelo enfrentamento das desigualdades raciais que marcam profundamente a sociedade brasileira.

Esse avanço só foi possível graças ao trabalho desenvolvido anteriormente pela Comissão Nacional contra a Discriminação Racial, que desempenhou um papel essencial na organização, formação e mobilização de trabalhadores e dirigentes sindicais em todo o país.

A atuação de militantes e dirigentes comprometidos com essa pauta — entre eles o dirigente sindical bancário Marcos Benedito da Silva, que coordenou a comissão nacional no período que antecedeu a criação da secretaria — foi fundamental para consolidar as bases políticas que tornaram possível esse passo histórico.

Assim, a Secretaria Nacional de Combate ao Racismo da CUT não surgiu apenas como uma nova estrutura organizativa, mas como o resultado de um processo coletivo de construção política dentro do movimento sindical brasileiro, fruto de anos de debate, formação, mobilização e compromisso com a luta por justiça social e igualdade racial.

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