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quarta-feira, 28 de outubro de 2026

O LADO B DA VIDA DE MARCOS BENEDITO - Rede Gospel Oficial


Da infância marcada pela fome à trajetória profissional, sindical e cristã

Por trás da história pública de Marcos Benedito existe uma trajetória que poucos conhecem. Uma vida marcada por dificuldades, privações, coragem, trabalho e experiências que ajudaram a construir o homem que ele se tornou.

Uma infância de luta pela sobrevivência

A vida social e profissional de Marcos Benedito começou muito antes de seu primeiro emprego formal. Por volta dos 12 anos, após a separação traumática de seus pais, ele precisou enfrentar precocemente as responsabilidades da vida adulta.

Com uma caixa de isopor pendurada ao corpo, percorria longas distâncias pelas ruas da Zona Norte de São Paulo, passando por bairros como Vila Bancária, Vila Penteado e Jardim Maracanã, entre outros, vendendo sorvetes para ajudar a sustentar a família.

O objetivo era simples, mas revelava a dimensão daquela realidade: voltar para casa com dinheiro suficiente para comprar um litro de álcool, utilizado para acender o fogo, e um quilo de fubá, alimento que serviria para preparar a refeição de todos.

Naquela casa viviam sua mãe, duas irmãs e dois irmãos. A sobrevivência dependia do esforço coletivo, da criatividade e de uma resistência que só quem experimentou a escassez consegue compreender plenamente.

Sua mãe, mulher de coragem e sacrifício, procurava transformar o pouco que tinham em alimento para os filhos. Acrescentava ao fubá ingredientes encontrados na natureza, como umbigo de bananeira, abóbora e brotos de abóbora. Também pescava lambaris em um lago próximo e aproveitava hortaliças que brotavam pelas ruas.

Era uma infância em que a necessidade ensinava a improvisar, a dividir e a resistir. Antes mesmo de compreender plenamente as desigualdades sociais, Marcos já conhecia seus efeitos na prática.

A escola e as primeiras barreiras

Mesmo diante das dificuldades, Marcos frequentou a escola primária e se esforçou para concluir essa etapa de sua formação, concluindo todas as fases da escola primária com notas destacadas, exercendo uma liderança reconhecida em todas as séries por quais passou. Somente na idade adulta, concluiu o colegial, e iniciou o curso universitário, tendo que interromper o curso devido dificuldades financeiras. Com 30 anos casou-se com Márcia, tendo tido duas filhas, Luanda e Thalita. 

 A interrupção de sua trajetória escolar formal não significou, porém, o fim de seu aprendizado.

A vida continuaria sendo uma escola exigente, na qual ele aprenderia sobre disciplina, responsabilidade, trabalho em equipe e superação.

O escotismo: coragem, disciplina e superação

Entre os 14 e os 21 anos, Marcos encontrou no movimento escoteiro uma experiência marcante para sua formação pessoal.

Participou de acampamentos, trilhas e atividades que exigiam preparo físico, iniciativa, disciplina e capacidade de enfrentar situações adversas. Tornou-se escoteiro sênior e, posteriormente, pioneiro, conquistando também a insígnia de mateiro, reconhecimento associado às habilidades de orientação, trilhas e acampamento, e também manuseio de faca e bastão.

Entre suas experiências mais significativas estão as travessias da Serra do Mar, de Paranapiacaba até a Baixada Santista, realizadas pelo menos duas vezes.

Essas vivências contribuíram para desenvolver sua coragem, seu espírito de equipe e sua capacidade de enfrentar desafios. Ao longo desse período, recebeu ainda o reconhecimento para atuar como auxiliar do chefe do grupo escoteiro.

O menino que antes caminhava pelas ruas carregando uma caixa de sorvetes encontrava, assim, novas oportunidades de desenvolver habilidades que o acompanhariam por toda a vida.

O primeiro emprego e a entrada no sistema financeiro

Foi também nesse período que surgiu uma oportunidade decisiva.

Sua mãe trabalhava como diarista para uma família que conhecia desde os 14 anos, quando chegou de Franca a São Paulo. Acolhida por essa família, estabeleceu com ela uma relação de confiança que atravessou os anos.

Por intermédio de seus patrões e da indicação a um diretor do Banco Itaú, Marcos conseguiu seu primeiro emprego no sistema financeiro, iniciando sua jornada no banco Itaú, e posteriormente, no banco Noroeste, que acabou sendo adquirido pelo banco espanhol, Santander. 

Começou como office boy, em uma realidade profissional muito diferente daquela que conhecera na infância. Com o passar dos anos, exerceu diversas funções, entre elas escriturário B, auxiliar de almoxarifado e operador de microfilmagem.

Sua trajetória foi construída dentro da instituição financeira ao longo de décadas de trabalho. Após 35 anos de atividade, encerrou sua carreira bancária e se aposentou aos 55 anos.

A aposentadoria, contudo, não apagaria a experiência acumulada nem encerraria seu envolvimento com as questões sociais e coletivas.

A atuação sindical e a participação política

Paralelamente à carreira bancária, Marcos Benedito desenvolveu uma trajetória de participação sindical e política.

Em 1991, concorreu pela chapa eleita para a direção do Sindicato dos Bancários de São Paulo, passando a exercer a função de diretor sindical.

Essa experiência ampliou sua atuação nas questões relacionadas ao mundo do trabalho, à organização dos trabalhadores e à participação social.

Sua trajetória sindical e política, assim como outras experiências de sua vida pública, encontra registros no blog 

asseplan.blogspot.com, que reúne informações sobre esse percurso.

O menino que precisou trabalhar para ajudar a colocar comida na mesa de sua família passou a participar de espaços coletivos nos quais o trabalho, os direitos e as condições de vida das pessoas estavam no centro das discussões.

A conversão e a caminhada cristã

Em meio às experiências profissionais, sociais e pessoais, Marcos Benedito também construiu sua caminhada de fé.

Ao aceitar Jesus Cristo como seu único e suficiente Salvador, passou a dedicar parte significativa de sua vida ao serviço cristão.

Sua atuação envolveu o louvor, a pregação da Palavra, o ensino do Evangelho e a participação na Escola Bíblica Dominical. 

Ao longo dessa caminhada, passou por diferentes comunidades cristãs, entre elas a Assembleia de Deus Ministério de Madureira, em Praia Grande, a Igreja Chama Viva e a Igreja Evangélica de Praia Grande (IEPG), liderada pelo pastor Manoel Júnior e pela missionária Ramiciele Santana.

Na música, no ensino bíblico e na pregação, encontrou formas de expressar sua fé e compartilhar aquilo em que acredita.

Sua história reúne diferentes dimensões: o trabalhador, o dirigente sindical, o músico, o pregador e o homem que busca viver de acordo com os princípios do Evangelho.

O que existe por trás dessa história?

O lado B da vida de Marcos Benedito não é apenas um relato de pobreza ou de superação individual. É também a memória de uma infância em que a alimentação precisava ser conquistada diariamente, de uma mãe que lutou para criar os filhos e de oportunidades que surgiram por meio de relações de confiança, esforço e perseverança.

É a história de alguém que conheceu as limitações do acesso à educação, ingressou cedo no mundo do trabalho, desenvolveu habilidades no escotismo, construiu uma carreira de décadas e participou da vida sindical e social.

Mais tarde, sua caminhada cristã acrescentou outra dimensão a essa trajetória: o compromisso de servir, ensinar e anunciar o Evangelho.

Não se trata de apresentar uma vida sem dificuldades, nem de transformar cada acontecimento em uma narrativa de vitória fácil. Trata-se de reconhecer o caminho percorrido, com suas barreiras, oportunidades e escolhas.

Antes do profissional, do dirigente sindical, do músico e do pregador, existiu um menino que caminhava pelas ruas com uma caixa de sorvetes para ajudar sua família a sobreviver.

Conhecer esse lado de sua história é compreender melhor o homem por trás de sua atuação pública.

Porque algumas trajetórias não podem ser avaliadas apenas pelos cargos ocupados, pelas atividades desenvolvidas ou pelas palavras pronunciadas. É preciso conhecer também as experiências que antecederam tudo isso.

Esta é uma parte da história de Marcos Benedito: uma vida construída entre a necessidade, o trabalho, a participação social e a fé.

O lado B é, acima de tudo, a história que nem sempre aparece, mas que ajuda a explicar quem alguém se tornou.

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